quinta-feira, março 23, 2006

Blind

Amar-te é perder-me no sentido das coisas,
No rasto do desejo que não é arma,
Mas gatilho.

Onde tu estás é natural que doa.
Começaste a cortar aqui e ali
Até a raíz se desprender, sem notares.
Arrancaste as palavras

(Uma
a
Uma)

Numa pausa para um cigarro.

Como não me perder
No lento e profundo mapa do teu corpo
Se descubro o teu rosto
E o escrevo no esboço do poema...

Voltei aos teus braços
E desapertei-te todos os nós

Com delicadeza,
Os meus dedos emaranharam-se em ti
E quis deixar-te ali a última linha
Gastando o meu corpo até que o dissesses
Teu.

Havemos de dizer
Para sempre

- Para sempre -

Nem que eu rasgue um pouco as minhas mãos
E o silêncio seja inacabável.

Porque não te deitas no meu colo
Enquanto a noite se apaga em ti?

Meu amor,
Devias ser o último a partir...


Vanessa Pelerigo

3 comentários:

Leon disse...

Mais uma Jóia Vanessa ;)
Gostei muito.

Captain Dildough disse...

Uau!
Estou abismado...

Um belíssimo P(elerig)oema, e uma das tuas melhores contribuições!
Óquei, são todas boas... mas umas são-no mais que outras ;)

Stein disse...

Muito bom Vanessa.

Realmente cada vez escreves melhor. Os meus parabens