Sábado, Setembro 22, 2007

Futebol

Dentro de quatro linhas jogado
Por duas equipas disputado
Jogar, fintar, passar, marcar
receita para quem quer ganhar

Onde se gastam milhões
Jogo de milhares de opiniões
Num instante tudo muda
e grita-se golo do outro lado da rua
talvez seja essa a razão
para prender todos à televisão

Num relvado ou num pelado
em parquet ou cimento armado
qualquer lugar serve para praticar
e para do último jogo falar
Jogo de casados e solteiros
de artistas e sarrafeiros
sem grandes exibições
perder nem a feijões

Fadado futebol lusitano
do inicio ao fim do ano
sofrido e trabalhado
de talento imigrado
Alegria e desilusão
Assim soa a nossa canção

Futebol é fantasia
que nos faz esquecer o dia-a-dia
Futebol é paixão

impossível conter a emoção

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Quarta-feira, Abril 25, 2007

Filmes da nossa vida...

Quantos de nos já nos sentimos identificados com um personagem de um determinado filme? Provavelmente faria mais sentido fazer a pergunta inversa…

Desde o filme de acção, passando por um thriller, drama, filme de terror até à comédia romântica certamente já nos reinventámos através do nosso pensamento projectando o nosso ego em cenários diversos. Esta forma de sermos vistos projectados nos filmes seria uma outra forma de entretenimento para além da trama principal do filme em si. Sem direitos de autor nem autorização de emissão vamos construindo películas que extravasam a nossa própria realidade ou a do filme que estamos a ver naquele momento, editando conforme os interesses da nossa mente.

Eu arriscaria que esta forma de nos projectarmos para fora da realidade estaria na génese do cinema em si como materialização daquilo que o cérebro humano sempre fez, ora durante o sono ou até mesmo em alguns momentos em que estamos acordados

Depois temos o suporte em que está guardado o filme que pode ir desde as bobinas de projecção em cinemas passando pelo VHS em formato magnético, sem esquecer o formato digital até chegar ao formato neuronal formado a partir das virtualmente infinitas possibilidades de ligação dos nossos neurónios entre si possibilitando uma combinação de cenários e personagens igualmente incontável. Se nos primeiros formatos o filme é unidireccional, nos últimos, as possibilidades de combinação entre neurónios conduzem a diversas possibilidades de desfecho resultado do estado físico/cognitivo/afectivo actual de determinado indivíduo. De certa maneira podíamos imaginar o nosso destino, o “filme” das nossas vidas, como resultado de sucessões de predisposições numa dinâmica de interacção de situações internas e externas inseridas num espaço/tempo determinado e variável a cada momento do nosso dia a dia.

Em genérico, o nosso cérebro tem a capacidade de “visualizar” o que nos vai acontecendo a nós ou até aos outros, realidade ou ficção e de construir na nossa mente uma reprodução mais ou menos fiel ao que aconteceu (memória), numa interacção mais ou menos intensa com outros fragmentos na nossa memória (criatividade). Em suma somos seres inteligentes com capacidades de tomar decisões a cada instante.

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Terça-feira, Outubro 31, 2006

Os media na actualidade

Em cada dia dos 12 meses do ano somos confrontados por informação vinda de todos os cantos do globo, sobre o qual espreitamos sem qualquer complexo, sendo deixado ao nosso critério avaliar tudo aquilo que vai acontecendo. Desde crimes, guerras, politica e economia, passando pela cultura e desporto, sem esquecer o tempo, são tudo as peças de um jogo de xadrez bastante complexo, que se conjugam e apresentam de forma diferencial a cada momento.

Se os media estão pendentes do que se passa no globo não é menos verdade que nós leitores, ouvintes e telespectadores representamos a razão de ser dos media, que actuam numa ligação de interdependência directa com fonte e consumidor de noticia.

As audiências, por seu turno, são o barómetro que rege o tempo de permanência de um determinado programa, a vaga em que é colocado na grelha de programação diária, ou até mesmo o seu raio de acção em termos etários. Os que seguem a programação podem ver claramente que as audiências são o factor de competitividade fundamental entre os diferentes agentes de comunicação, mais do qualquer outro critério externo a esse complexo mundo dos media. Resumindo e concluindo, vemos o que gostamos e não o que precisamos.

Noutro lado do espectro, para além do valor indexado à factura de electricidade, a publicidade difundida surge como mais uma taxa que pagamos, e digo “pagamos” mesmo incluindo as vezes em que a publicidade é menos repetitiva que um determinado programa. Vendo em pormenor, a publicidade preenche o espaço entre agente de venda e com pra, ga rantindo e dinamizando o funcionamento do pesado ciclo comercial em que estamos engrenados e do qual não nos podemos alienar.

Por seu lado a Internet surgiu recentemente, como uma nova forma de comunicação, onde consumidor pode tomar parte activa deixando o seu contributo na rede, partilhando a sua visão do mundo com quem quer que navegue neste novo mundo cibernético, sem fronteiras onde a imaginação é o limite... cortando caminho…qual seria o próximo limite? Participar num programa ao vivo sem sair de casa, sentado confortavelmente no sofá onde tudo fica à distância de um clique? E porque não?!

O melhor será mesmo parar por aqui…

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Domingo, Junho 18, 2006

O mundo nos dias de hoje na perspectiva de um “anónimo"

O mundo civilizado nos dias de hoje é sem dúvida muito diferente das milenares civilizações que nos precederam, de um mundo antigo fragmentado pelo desconhecimento recíproco entre os diversos povos passámos progressivamente a um mundo globalizado. Se outrora tal como nos dias de hoje a tremenda desigualdade entre ricos e pobres foi e é uma constante, as regras essas foram evoluindo.


Da aparente anarquia inicial evoluímos para um mundo regido por regras rígidas, que mais faziam lembrar um jogo de xadrez, onde cada um se comportava como uma peça de tabuleiro executando a sua jogada alienado de qualquer sentido de moralidade, existindo com o único propósito de fazer xeque-mate e assim poder subir um lugar no ranking. Na lista dos mais procurados, o poder era sem duvida o factor chave que fazia mover o mundo.

Nos dias de hoje sem dúvida partilhamos esse mesmo sentido de poder herdado dos antigos ainda que esse poder, salvo raras excepções, já não assente num tirano ou um regime totalitário. Antes, encontra-se dividido em diferentes poderes, assentando o bom funcionamento de um estado na articulação e na flexibilidade de interacção entre os diversos órgãos de soberania.

De diferente maneira os, media surgem como outra forma de poder estabelecendo uma ligação efectiva entre o poder institucional e o povo. Mais ainda, os media surgem como factor globalizante entre as diversas culturas entretendo, denunciando e informando. Se o poder se encontra mais repartido e em certa medida mais transparente ao comum dos mortais através dos media, porque é que é as desigualdades, principalmente aquelas que resultam da violação dos princípios fundamentais dos direitos humanos, subsistem como constante indissociável!? Será que há algum desígnio para tudo isto? Qual o motivo para que esses princípios fundamentais não vigorem? Haverá algum interesse oculto ainda por expor? Sinceramente vejo o mundo em mutação principalmente na percepção da nossa identidade/privacidade sem tempo nem lugar à reflexão. Como nos veremos a nós mesmos daqui a 10 anos? E os outros como serão aos nossos olhos?...

Só espero no futuro, não ter de viver como o humpty dumpty (personagem presente no conto Alice no Pais das Maravilhas de Lewis Carrol) pensando cada passo que haveria de dar para não cair do muro.

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Sábado, Julho 17, 2004

Meditação

   Deitado sobre a minha cama fecho os olhos e concentro-me num só pensamento, olho para dentro e vejo um só ponto branco, começando pálido, tornando-se cada vez mais luminoso e pequeno à medida que canalizo as minhas alegrias, tristezas, ódios e paixões nesse singular objecto. Até então tudo era consciência embora dispersa, desconexa e descontrolada, a mesma consciência que está espalhada pelo cosmos e que agora está focalizada num só ponto e que eu estou a ver, embora não perceba nem esteja minimamente preocupado com esse facto. Num ápice tomo a consciência de tudo como um todo, é tudo tão maravilhosamente belo, não fazia ideia que era assim. Uma agradável corrente eléctrica invade o meu corpo, começando na nuca e alastrando rapidamente até às pontas dos pés....a vida é bela!...é um privilégio estar aqui nem que seja só por este instante....lentamente o pensamento evade-se. Ao fundo começo a ouvir uma voz, primeiro difusa, depois estranhamente familiar....”Anda jantar!!! A comida já está fria”....bem...as nossas mães têm sempre razão...ou quase sempre.

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Segunda-feira, Maio 24, 2004

Pensamentos avançados...formas de expressão primitivas

11/05/2004 (à noite)

Não é novidade para ninguém que o ser humano é deveras um ser com uma mente muito complexa. Somos um ser que foi feito para pensar, senão experimentem ficar uns momentos sem pensar em nada...tarefa complicada não? Todos os gestos, todos os olhares, todos os tons de voz daqueles que nos rodeiam passam pelo crivo do nosso pensamento. O controle é tão rigoroso que o mais distraído poderá estranhar porque é que determinado indivíduo deixou de lhe falar sem qualquer motivo aparente.

Mas isto não é tudo...o nosso pensamento é tão complexo que é impossível expressar por palavras, muito menos por silogismos organizados, aquilo que nos vai cá dentro...aqueles que se aproximam mais são os poetas, que acabam por dizer aquilo que toda a gente pensa mas que não tem coragem nem capacidade para expressá-lo num raciocínio coerente e aceitável com valores vigentes relativamente a um tempo e a uma sociedade. Sim, valores!!! Ou pensam que aquilo que vocês pensam está desprovido de sentimentos, desejos, interesses ou convicções!!!

Os nossos pensamentos têm uma forte componente sentimental. Vejo o sentimento reflectir-se no pensamento de duas formas distintas. Como sentimento contido no pensamento que é irracional relativamente ao cânon da sociedade, mas que inconscientemente o tem em conta, tal qual fosse um reflexo espontâneo. Temos, por outro lado, o sentimento como força motriz do pensamento que passo a explicar agora. Andamos num estranho equilíbrio entre o ponderar muito bem as consequências das nossas acções sentimento-motivadas e o não ponderar de todo as mesmas. Por um lado a primeira hipótese oferece controlo e segurança mas torna a acção pouco espontânea e inibida. Por outro lado, a segunda permite atingir picos de genialidade, mas também permite atingir picos de estupidez. Os sentimentos são um catalizador com um potencial imenso potenciando a formação de novas conecções nervosas nunca dantes experimentadas. Assim temos mais e novos pensamentos prontos a saltar cá para fora e sujeitar-se ao teste do comportamento padrão. Assim, tendo em conta o que foi dito atrás, o sentimento está na génese e essência do pensamento.


24/05/2004 (à tarde)


Às vezes até penso que, em sociedade, vivemos numa espécie de equilíbrio instável. Equilíbrios contidos uns nos outros. Qual o mais abrangente e qual o mais restrito? Quantos equilíbrios? Será que é honesto falar em contagem? Será que estão estritamente contidos uns nos outros, ou assumem uma relação inimaginávelmente mais complexa? Às duas ultimais questões talvez saiba responder duma forma intuitiva, também são as mais genéricas; dão muita margem de manobra para não errar e para não cair na tentação de ser demasiadamente determinista. Mas às vezes penso...há certas alturas em que penso ser essencial ser determinista, temos exemplos na Física (teoria relativista de Einstein, que agora parece estar demonstrado ter algumas inconsistências (1) ), Filosofia (o conceito de tábua rasa de John Lock (2) que, apesar de incorrecta, permitiu retirar excessivo peso à inteligência herdada), Religião (o conceito de ecumenismo de Mahatma Gandhi unindo edifícios religiosos aparentemente incompatíveis (3)), Psicologia (Freud (2) e a tipologia da mente em três partes - id, ego e super-ego)
...

Acredito, meus senhores, que todas estas descobertas/teorizações são fragmentos de verdade, construídas com base em crenças, desejos ou até mesmo preferências...em suma...emoções. Para mim começa a tornar-se claro o quão importantes são estas emoções, que se equilibram(A) incessantemente com o super-ego ou com algo mais complexo, que poderia estar relacionado com equilíbrio (B) entre as nossas subtis especificidades, mas que ainda não atingimos. Consigo ver o equilíbrio(B) dentro do equilíbrio(A) e vice-versa, mas qual o peso que assume cada contribuição? Pergunto outra vez, será assim tão simples? Não creio. Acredito, de uma forma genérica, que as emoções são o vector que nos faz não ficar parado com medo de errar, talvez não sejam as únicas responsáveis meus amigos, mas paciência, a verdade vai-se saboreando à medida que, lentamente, nos vai sendo dada a conhecer...por deterministas é certo...mas não deixa de ser verdade.

22/05/2004 (à tarde)

Dada a impossibilidade de expressar os nossos pensamentos integralmente de uma forma coerente e aceitável, usamos nos nossos diálogos do dia-a-dia fórmulas optimizadas que se repetem incessantemente nas mais banais situações do dia a dia. Desta maneira, acabamos por usar todos a mesma linguagem, linguagem que anda a um nível mais baixo que o nosso pensamento... é o preço que pagamos para nos podermos entender. Àqueles que estão conscientes deste facto um pedido: tenham mais consideração pelo que os outros dizem, por ventura não será profundo relativamente ao que vocês pensam mas também estamos só a comparar batatas com cenouras.


1) João Magueijo; Mais rápido que a luz “A biografia de uma especulação científica”; gradiva; 2003
2) Sprinthall, Norman A.; Sprinthall, Richard C. ; Psicologia Educacional; McGraw Hill; 1993
3) Richard Attenborough; Gandhi (filme); 1982

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Sexta-feira, Abril 09, 2004

O ser humano numa fracção de segundo (2ª parte)

Encontro-me sobre um extenso campo verde sarapintado de flores, a família está toda reunida num piquenique, novos e velhos todos se apinham junto à comida, conversa-se à boca cheia entre cada garfada, sente-se a felicidade, respira-se a liberdade. Vejo-te preocupada para que não falte comida a ninguém mas no fundo estás feliz. Eu, no meio de todo o ruído harmonioso olho o teu rosto pedindo um beijo sentindo o teu cheiro, misturado com o leve aroma das flores, rosas, dálias, túlipas, malmequeres. De repente o negrume invade o espaço.

Vejo-me tão novo, já não me lembrava que outrora fora assim, estou num bar-discoteca rodeado de alguns amigos. Sentimos a batida e damos os primeiros passos, primeiro devagar só até ambientar, oleamos bem a máquina e o ritmo começa a aumentar entretanto já o comboio anda na pista e ninguém quer ser maquinista. Num instante começa tudo a andar à roda, vejo tudo fundido no intenso rodopio.

Sou outra vez criança, divirto-me que nem um perdido num daqueles carrosséis manuais, rio sem contenção sem qualquer preocupação. Naquele momento só o meu mundo de ilusão conta, qual astronauta que na sua na sua nave supersónica sulca os limites do espaço em busca de novos mundos. Em instantes tudo muda, desequilibro-me e caio do carrossel. A meio da queda, todo o meu pensamento anterior é sugado pelo terror antecipador da minha aterragem forçada...PUM!!!! Caí na áspera areia e estou estendido no chão, estou consciente e oiço vozes à minha volta, falam todos ao mesmo tempo não consigo perceber nada. De repente abro os olhos e, destacando-se dos vultos à minha volta, vejo a minha educadora com uns olhos preocupados a olhar para mim.
“Estás bem?”
“Acho que sim...deixe-me levantar”.
De repente tudo se dissolve...

Estou agora submerso por um líquido viscoso, o calor e o conforto envolvem os meus sentidos. É tão bom estar aqui!!! Eu daqui não quero sair. Consigo mover os meus bracinhos e pezinhos, articulo-me como um todo, não controlo bem os movimentos...dei um pontapé onde não devia, ups!!! De repente as águas agitam-se e eu fico alerta, oiço um potente palpitar de coração que ecoa por toda esta bolsa, enquanto isso sinto o calor que emana agora mais forte do corpo da minha mãe; ao mesmo tempo, começo a sentir umas cócegas, primeiro na barriga, junto ao cordão umbilical, depois por todo o corpo. Estou envolvido por uma corrente eléctrica que me faz sorrir...mãezinha boa!!!

Já não estou no útero da minha mãe...vejo agora uma luz ofuscante que, progressivamente, vai dando lugar a uma visão completamente diferente da realidade que em tempos conheci....

Era tudo uma ilusão. Futuro e Passado fundem-se, já não faz sentido a linha unidireccional passado futuro mas antes uma esfera temporal que expande e contrai continuamente. Esta superfície esférica, que é o tempo absoluto, é uma função de “infinitas” superfícies esferóides contidas ao longo de todo o diâmetro dessa esfera. Cada uma destas superfícies esferóides representa a inter relação entre um “ser” e o espaço que naquele instante habita. O desequilíbrio entre “ser” e espaço representa um afastamento da esfericidade e, curiosamente, é esse afastamento que provoca o movimento de toda a esfera temporal, que como um todo nunca se afasta da forma esférica. Assim, a função que define a esfera temporal como um todo, e que muda a cada instante devido ao desequilíbrio entre “ser” e espaço, irá resultar na alteração do seu diâmetro...

Já não sinto o paladar, já não vejo, já não cheiro, já não sinto, já não oiço...interajo directamente com a luz. Eu sou mas já não penso o mesmo...não tenho preferências nem necessidades pessoais...agora vejo tudo como um todo...

...mas se outrora assim fosse viveria como um louco.

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Domingo, Novembro 30, 2003

FADO

Vivo o fado
feito para ser jogado
Dei-to com graça
vivo em desgraça

Feito de ansiedade
canto pela saudade
Pranto angustiado
Preceito do fado

Pende minha vida
lambo mortal ferida
Limbo inspirador
acende a minha dor

Na tasca...

Rimo com a dor
lanço vivas ao amor
danço contente
ritmo demente

Marcha mais uma bejeca
não vá garganta ficar seca
são horas de alegria
marcha mais uma sangria

Enfim...

Percorro carrossel do fado
Corro contra o fado...

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Quinta-feira, Novembro 06, 2003

Se não pagas um copinho pagas com o corpinho

Era um quente dia de praxes...um caloiro despistado convive com dois veteranos bem regados. No meio de todo aquele convívio o veterano Cândido vira-se para o caloiro despistado e diz:
“Se não pagas um copinho pagas com o corpinho”
O caloiro consciencioso do seu dever dirige-se para o Bar da dona Ágata e, aproveitando a boleia do último cliente que comprara umas Cristais, pede três...
A dona Ágata responde: “Vieste tarde meu filho...” o caloiro replica: “e...não tem alternativa?” “Umas loirinhas são capazes de se arranjar” graceja a dona Ágata.
Quando o caloiro se chega à beira dos explanados veterano, o veterano Ambrósio vira-se e diz: “não sabes que esta é para pedreiros? Um veterano tem que explicar tudo...bem...acaba lá com ela antes que ganhe teias de aranha. O caloiro mama uma, mama duas, mama três, mama quatro, mama cinco, mama seis e não acabou a sétima...perdeu os sentidos por momentos...a cabeça rodava e o caloiro gregoriava, o caloiro chorava e o Ambrósio apalpava. Os veteranos aproveitaram o estado do caloiro para o levar a um bar gay...Bordas abertas era assim que se chamava...O caloiro que ia nos braços do Cândido, naquele seu estado semi-acordado ainda consegue ler à entrada o lema do bar: “Se não pagas um copinho pagas com o corpinho”...Os trocos do caloiro tinham acabado...o pânico estava instalado...caloiro só ouvia:
“Não se preocupe que não vai ficar entalado...damos-lhe uma pomada que o deixa aliviado...”

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