sábado, setembro 22, 2007

Futebol

Dentro de quatro linhas jogado
Por duas equipas disputado
Jogar, fintar, passar, marcar
receita para quem quer ganhar

Onde se gastam milhões
Jogo de milhares de opiniões
Num instante tudo muda
e grita-se golo do outro lado da rua
talvez seja essa a razão
para prender todos à televisão

Num relvado ou num pelado
em parquet ou cimento armado
qualquer lugar serve para praticar
e para do último jogo falar
Jogo de casados e solteiros
de artistas e sarrafeiros
sem grandes exibições
perder nem a feijões

Fadado futebol lusitano
do inicio ao fim do ano
sofrido e trabalhado
de talento imigrado
Alegria e desilusão
Assim soa a nossa canção

Futebol é fantasia
que nos faz esquecer o dia-a-dia
Futebol é paixão

impossível conter a emoção

Jantar Tertúlia d´A Revista P.E.N.A.

quinta-feira, setembro 20, 2007

Um adeus

Um último e suave adeus...

Num mundo cheio de loucura,
De ódios e violência,
De sangue e destruição.
Mil vidas são reduzidas,
Mil esperanças vencidas
Numa guerra sem razão,
Numa doença sem cura
Que mergulha a Terra na demência.

Mais uma jovem vida... ceifada
Pela loucura deste mundo.
Para os amigos a saudade,
Para os familiares a consternação,
Para o ser anónimo a desilusão
Por mais uma acto de insanidade,
Que numa manhã ensaguentada,
Lançou um silêncio profundo.

Um pouco de justiça, meu Deus...


"À memória de Maria José Maurício, brutalmente assassinada na manhã de 18 de Setembro de 2007 em Coimbra, e a todas as vítimas inocentes da loucura deste mundo."

quinta-feira, setembro 13, 2007

P. E. N. A.

Éramos dois sonhadores...
A música naquele entardecer...
E num momento de inspiração
Nasce uma nova canção,
Esquecem-se todas as dores
E algo mágico começa a aparecer...

Pensamentos a fluir
De gente tão normal.
Jovens simples e felizes,
Na escrita aprendizes.
Mas que fizeram surgir
Algo muito original.

Ideias, caneta e papel,
Um computador funcional,
Jacto de tinta, impressão,
Uma tesoura sempre á mão,
Um pedaço de cordel...
Ficou sensacional!

Fiéis e dedicados leitores.
Um desejo de expansão,
Penosos rochedos a escalar,
Mas com vontade de triunfar,
Jovens fortes e sonhadores
Continuaram a missão.

Um olhar cibernético,
Uma crença a alastrar...
À distância de um teclado,
Novo objectivo alcançado.
Textos em ritmo frenético,
Neste novo patamar.

Agora felizes, mas sempre a sonhar...
A nossa P. E. N. A. vamos celebrar!

domingo, setembro 02, 2007

.........

Que dirão aqueles que praguejam?
Que dirão vós que me alvitram...
Estalinhos sanguinários nas minhas veias....

Profundas veias...
Que um dia
Devido às imensas teias
Secarão sentidas...

Qual palhaço que ri de mim....
Vós que me criticais...
Olhai para vós e avaliai-vos

Cromo?Pateta?
Não me substimais,
Assim como não vos substimo,
Sim posso ser careta...

Entretanto....olhai-vos
E dizei-me:
Quando foi a última vez que vos sentistes vivos?
One more time again,
My red rage claims...
Staying in vain..
Don't tell me more my name...

Rage, brave and STAGE....

One hundred gringos in my soul...
Stolen from you
Be your tool...?

Can't stand this pain...
I'm a crazy strange to you...
How could say my name?

Rage, brave and STAGE....

sexta-feira, agosto 31, 2007

O Poema deles

Este poema é dedicado aos 4 anos do Blog d' A Revista P.E.N.A. Quatro anos de puro prazer literário. Para quebrar a rotina de reflexão, escrevo este poema dedicado às milhares de ratoeiras e tentativas que todos nós já tentamos pregar uns aos outros: "Eles vieram?". Por tudo isso, "O Poema deles", dos gajos sem juízo e enlouquecidos, de todos nós. Bem haja...

Todos perguntam por eles,
Numa rotineira paixão.
Não há saída ou diversão,
Que arrefeça essa tentação.

Soa sempre a companheirismo,
Na igreja ou no campismo,
Num bar ou a jantar,
Todos gostam de treinar.

Se és novo camarada,
E o tempo não pára,
Alguém te tentará a piada,
Para estimular sua tara.
Não tenho a certeza como cheguei aqui... A minha cabeça dói-me e não tenho uma noite decente de sono à semanas. Não era suposto ser assim... Suponho que sempre foi.

Sempre foi aqui que estive. Sempre será aqui que tudo se passa...
- Qual a tua fraqueza? - pergunta ela

A minha fraqueza... Como não soubesses. Sempre soubeste tudo sobre mim, sabes que eu hesito na resposta, sabes que eu sei mas não consigo dizer, como se o sair da minha cabeça para a realidade deste sitio fosse tornar a minha fraqueza mais real.

- A minha fraqueza és tu... - Sempre foste, sempre o soubeste, sempre... A minha cabeça dói mais uma vez e não quero que seja assim... Não quero perder estes pensamentos. Quero ser fraco para me consolares.

- A minha fraqueza é o amor... - Detesto como perco o controlo, como aquilo que guardo cá dentro de mim sai tão facilmente e como perco meu auto-respeito assim. Quero ser forte.

- Qual a tua fraqueza? - pergunta ela enquanto seus olhos vêem através dos meus. Enquanto morde o lábio à medida que vê a minha alma. Não fujo, minha cabeça dói-me demasiado para isso enquanto o meu controlo jaz em ruinas a seus pés.

- Tu interesssas-me... - Estas palavras atravessam-me assim ditas, ela não vê o meu amor a seus pés, não vê que me tortura enquanto olho nos seus olhos à espera de ver o que ela vê... à espera de sentir que qualquer fraqueza que possa ter é perdoada.

Só quero amar... ser amado é algo para o qual não tenho controlo, é algo que quero apenas quando passar esta dor de cabeça, apenas quando tiver conseguido dormir.

...

Acordo e sento-me... Ela acende a luz e pergunta que se passou... Nada, volta a dormir, tenho uma dor de cabeça...

segunda-feira, agosto 27, 2007

Nevoeiro

O homem rouco tenta projectar a sua voz, no bar cheio... noite voraz, sinto-me esvanecer... a memória é a mesma, o nevoeiro, o rio...
Sou um ser que tenta nascer, uma certeza que parece morrer, na memória. Essa não está na rouquidão daquele homem, que murmura no caos do café.

8 da manhã e o nevoeiro levanta-se lentamente no rio... Nem café, nem abraço, nem palavras sábias, ou alucínio de uma qualquer cerveja. É o mundo alegremente cruel, tornando-nos frios a cada passo. O homem murmurava rouco contando as histórias da sua existência... eu sou apenas um jovem a despertar para as agruras da vida. Feliz por fora, rasgado no coração. A viagem, os raios de sol rompendo as árvores, aquele abraço que são tantos abraços, e o velho rouco cujo os abraços eram apenas a memória naquela noite ruidosa... A minha única saudade é a da manhã solitária, dez, quinze, vinte minutos atrás...

O homem é o sábio do tempo que um dia serei... projecção futura da minha existência, histórias alegres para contar, uma tristeza no olhar. Agora sou um banal vulto... projectado no rio, quando o nevoeiro por fim levanta.

quarta-feira, agosto 01, 2007

Sonho

Abriu a garrafa lentamente… ritualmente, aliás! Como fazia sempre! Para ele era mais que um gesto! Sentiu o odor do vinho ainda por respirar! Serviu um copo e olhou-o de soslaio!

(ela deve estar a chegar…)

Verificou uma última vez se tudo estava no sítio… Calmo, não apressado ou nervoso… Segui lentamente arrastando os pés pela casa! Verificou tudo pelo menos três vezes! Acendeu, finalmente, umas velas! E deixou-se ficar sentado no sofá…

(com a televisão ligada)

Sentiu o odor do vinho entrar-lhe nos pulmões! Um ritual, é certo!

Deixou-se ficar mais um bocado… E outro… Enquanto esperava por aquele toque de campainha… Aí, sim… O seu coração iria bater forte… Não sabia se estaria preparado para esse bater… Não sabia nada! Neste momento e em outros… Estava muito ansioso… Muito mais que antes, hoje tudo teria de ser perfeito… Nada podia falhar!

Mas estava estranhamente calmo! Tão estranho que nem consigo conseguia lidar… Estava difícil se perceber a si próprio! Olhou pela janela e viu a Lua Cheia!

(e a Lua olhou para ele!)

Hoje era um dos dias mais importantes da sua vida… O Mais Importante até agora!

(a Lua sorriu-lhe, ou ele assim o entendeu!)

Respirou fundo! E decidiu que não o iria provar enquanto ela não chegasse…

Pensou em telefonar-lhe… mas depois pensou melhor… é má ideia… vai pressioná-la e estragar tudo... E isso, era última coisa que pretendia fazer! Também não queria fumar… Que fazer, então, enquanto espera!?

(a televisão continua ligada!)

Sentia-se enlouquecer! Pouco a pouco… A loucura entrava em si! Há pouco, calmo como um rochedo que todos os dias enfrenta o mesmo mar e as mesmas marés com determinação… E agora tempestuoso como esse mesmo mar! Esse mesmo mar… Esse mar que todos os dias tenta, em vão, derrubar o rochedo… Cada vez mais nervoso e impaciente!

(sentiu-se, ele mesmo, parte integrante dessa luta milenar…)

Verificou tudo uma última vez…

(Tlim… Tlam…)

A campainha tocou! Uma vez… É ela pensou… O seu coração precipitou-se a sair do seu peito… O suor escorria-lhe pela testa… O respirar intenso deixava adivinhar aquele nervoso, a que costuma chamar-se miudinho, mas que de pequeno não tem nada… Aquele calafrio no fundo das costa… Aquele formigueiro na barriga…

Precipitou-se para a porta e abriu-a, colocando o mais belo sorriso que pensava conseguir…

No princípio não acreditou no que via… pensou estar a ter um pesadelo horrível… Depois, como não acordou entretanto, começou a pensar que de facto era real… Mas continuava a não querer acreditar… Deixou que uma pequena lágrima lhe escorresse pelo rosto e foi sentar-se na poltrona…


(Entretanto, numa costa longínqua o mar derrubou uma rocha)

segunda-feira, julho 30, 2007

Aqui Jaz

“A fé é o instinto da acção.”

Fechou o livro, ainda, com esta frase na cabeça!

(“A fé é o instinto da acção.”)

Esta, repetiu-se vezes sem conta na sua cabeça!

(“A fé é o instinto da acção.”)

(“A fé é o instinto da acção.”)

(“A fé é o instinto da acção.”)

Na mesma cabeça por onde uma pequena gota escorria…

(Sangue? Suor? Lágrima?)

Ahhh… Bernardo, soubesses a razão que tinhas! – pensou, alto, mas pensou…

Deixou o livro escorregar lentamente pelas suas pernas, enquanto se entretinha com os seus pensamentos!

Imaginou a lapide e a sepultura… Não daquelas em mármore, mas sim daquelas em relva com um pequeno pedaço de granito em forma de escudo, como se vê nos filmes americanos…

(isolada no meio de nada, uma lápide jaz…)

Imaginou as letras cravadas na lápide:

Aqui jaz a minha alma

Eterna saudade

Curioso, pensou, já tinha ouvido falar de vida após a morte, mas geralmente é uma vida espiritual! O corpo morre, enquanto a alma (ou espírito) perdura… No seu caso é ao contrário!

(Como sempre)

Assassinou a sua própria alma! Deixou-a a esvair-se, não em sangue, mas em algo viscoso que não conseguiu identificar… E depois?… Depois enterrou-a! Com a frieza de um homem sem alma! Percebeu finalmente o verdadeiro significado dessa expressão!

(Homem sem alma)

Colocou a lápide fria sob a sepultura e nem uma lágrima verteu! Afinal os homens sem alma não conseguem chorar… Podia dizer-se que ficou triste com este facto… mas será que os homens sem alma podem ficar tristes?

(És um homem sem alma! – gritou um vulto)

Onde estão os sentimentos, no Ser ou na alma, ou é o Ser a sua própria alma?

Ficou um pouco a meditar sobre que sentimentos seriam permitidos a um homem sem alma… Pensou, mesmo, em perguntar a outro homem sem alma que sentimentos já tinha experimentado, mas depois lembrou-se que não conhecia nenhum… Imaginou que houvessem mais… Mas não o podia garantir!

(És um homem sem alma!)

(És um homem sem alma!)

(És um homem sem alma!)

Sentiu o coração bater forte, a respiração pesada, o suor a escorrer na sua face gelada e….

Despertou! Sobressaltado!

Recompôs-se e apanhou o livro do chão! Enquanto o levava para o arrumar no seu lugar, privilegiado, na estante… Pensou… É, de facto, curioso ter sonhado com o funeral da sua própria alma! Ele, que sempre quis ser cremado… Não gostava nada daquelas visitas deprimentes a cemitérios! Não queria que os seus netos o fossem visitar a um sítio daqueles… Preferia, com certeza, ser cremado… O fogo é místico…. Do fogo renasce a Fénix! E claro, que as suas cinzas fossem espalhadas numa bela montanha, ao sabor do vento e que voassem para onde quisessem… Até à mais bela nascente de água, até ao pico mais alto e o mais profundo dos vales! Que cai-se em árvores e que arbustos… e em animais que as transportariam, ainda, mais longe! Era libertador sonhar com esta vida após a morte!

E quando os seus netos o fossem visitar e vissem com os seus olhos aquela paisagem e perguntassem:

- Que bonito, pai, o que é?

A resposta do pai, seu filho, fosse:

-Isto, meus filhos, é o vosso avô!

(um homem sem alma)

sexta-feira, julho 06, 2007

DaRk AnD tWiStY

My heart is total insane,
Your soul is inside me,
Don't pick these words in vain...
We do not need to bleed,

A man flirts his wife,
I don't wanna this for you,
Dark...it's dark...time to blame,
But not for you...

See my soul,
As I see your eyes...
I am your tool
You don't have to cry...

Tonight...you feel sleepy?
I am just right your side...
And why?Because I am as well
DaRk AnD tWiStY...

Dedicado à minha tutu ("You Know you're right")

quinta-feira, junho 28, 2007

P.I.A.N.O

Peace in everything i see,
Calm down the sea,
I feel your toutch...

Nothing else matters to me,
I fight everyday for a issue
Better life for me,

Believe...touch...seek
Can you say that you are free?

Hold on my hand,
Push me with my piano,
Tell me you stand inside my love,

The piano I'll be
I feel your touch...body... lips
And a song will be on
Do not be so strick

Put everything away
Imagine you and me
And our love
Nothing matters...what they say...and
Obviously... love you'll see

(no title)

I'm in rage...i can't say...
What happenned today...
I didn't sleep so well

Farewell, goodbye...
I don't see a smile,...
Slay me inside,

Fuck the wound I have
In my heart...
Feeling like a whore?

Become the beginning, the start
Try another way
Can't say what...

All of you stare at me,
But can you see inside?
Can you really spit in my face?

Shut a fuck up
Vanish my rage
But....


Stay up...do not give up
Stay with me tonight,
And become my new fight...

Try passing by
Can't open...
You're not bronken...

Feel me tonight....

quarta-feira, junho 27, 2007

Me again

There's a time,
Once upon a time,
A guy who lived alone...
But his heart felt like stone,

No more dreams inside his head
No love i saw there...
But one day...a special day...
He knew a girl...and he wanted to stay,

He felt the ghost again
And fogs entered in his head like a train
But this love revealed to be strong and remain..
Till today...

I thought I was empty,
But something in you mixed up my veins...
Put away my pain...

I think I'm new again
So that's why I am remembering you...
And my heart is in flames....

Dedicado à minha Tutu ("You know you're right")

segunda-feira, junho 18, 2007

Espera

Espero... e nada espero...
Olhos fixos no corredor
Aguardando a revelação
Que nas águas da incerteza
Se tornou fado severo,
Esperando sem fulgor
Numa luta sem frieza.

Aguardo... e porque aguardo?
Porque no fundo do túnel obscuro,
Na angustia sufocante
Que parece não ter fim;
Existe um final esperado,
Uma esperança de futuro,
Um fulgor que cresce em mim
Em busca da luz brilhante.

Do nada recomeçar,
Encarar o caminho de frente.
E sem ser diferente...
Voltar a acreditar!

Esperando... e talvez nada esperando...

Lisboa...

Das Sete Colinas…
(onde estão?)
erudidas pelo tempo!
Lisboa…
Das casas sobre casas!
Quantas lágrimas choras, tu, ó Lisboa!?
Onde estão as colinas?
(ou os vales!?)
do meu coração….

Vejo-te agora, Lisboa, bela… Nesta aberta que as nuvens deixam… Pequenos raios de Sol iluminam a tua face para mim… Pequenas gotas escorrem nas tuas encostas…
(lágrimas?)
Lisboa, cartão de visita… Lisboa a preto e branco, Lisboa a cores… Não! Lisboa a 256 tons de cinzento… Cinza… que contrasta com o tempo… Lisboa Cinza, porque choras tu? Quem te trata mal, minha menina?
Hoje, quanto a ti cheguei, vi Lisboa a morrer…. Quis morrer contigo… Não! Quis viver contigo… Quero viver contigo… Quero viver dentro de ti, Lisboa! Deixa-me chorar contigo!

Ahhh…. Lisboa das Sete Colinas… Não! Lisboa das Sete Cidades!
Lisboa-Madrid do poder central….
Lisboa-Barcelona cosmopolita…
Lisboa-Londres capital do império…
Lisboa-Rio de Janeiro das mil e uma cores…
Lisboa-Paris a cidade Luz…
Lisboa-Budapeste das noites Loucas…
Lisboa-Berlim a cidade Morta…
(deixa-me viver contigo!)

Olho, agora, o São Jorge, saliente no céu do crepúsculo… Vejo os bairros que se estendem a teus pés…
(quem mora nesses bairros?)
Lisboa dos contrates… Lisboa a cores e a preto e branco… Lisboa da alegria e da tristeza… Lisboa do Fado e do Bairro Alto…Lisboa da Rua do Ouro e do Casal Ventoso… Lisboa da Alfredo da Costa e dos Prazeres… Lisboa…
(deixa-me chorar contigo!)
O Sol já se foi, não ilumina agora a tua face… Pouco a pouco a vida termina… Não! Á vida começa…
(deixa-me viver contigo!)

Lisboa das casas sobre casas…
Aqui já morou alguém
Daqui já partiu alguém
Aqui já sorriu alguém
Aqui já chorou alguém
Aqui já viveu alguém
Aqui já morreu alguém
Aqui já nasceu alguém
Aqui já se matou alguém…
(quem?)

Sim, aqui nesta casa! Nessa casa… Neste bairro, e nesse bairro…

És tu Lisboa da ilusão e da desilusão! Lisboa é tudo e nada… Lisboa tem alma de gente e corpo de betão! Lisboa tem canção, mas harmonia não! Lisboa tem ricos e tem pobres… Tem alegres e tem tristes! Tem bolsos cheios de dinheiro e outros de cotão!
Roupas de poliéster e camisas de algodão! Gente de carne e osso e outros de titânio e silicone!
Tudo em ti é contraste…

Lisboa a cores!
Lisboa a preto e branco!
Lisboa Cinza…
(quem te apagou o fogo!?)

Lisboa é um manto que escorre rumo ao Tejo! Um manto de casas, casinhas e casebres…
Lisboa são ruas estreitas e a Avenida da Liberdade…
Lisboa é fast-food e “espera que já te atendo!”
Lisboa é traiçoeira, tem cuidado!
Lisboa… Lisboa é o Convento do Carmo!

quarta-feira, junho 13, 2007

Babilónia

Abriu a porta com um, aquele, gesto lento de quem não quer… De quem não pode! A porta deslizou lentamente, como que escondendo algo!

A casa estava arrumada… Minimamente arrumada! Não tinha uma cadeira de baloiço, nem lareira, nem os quadros do Simão… mas sentia-a como o seu Lar!

Abriu o congelador e tirou umas pedras de gelo, serviu-se… de um licor qualquer! Uma bebida num copo com gelo ficou, parada, imóvel, em cima da pequena mesa!

(uma bebida que nunca bebeu… uma bebida que não foi bebida!)

Seguiu caminho até à pequena varanda… Pequena demais para todos os seus sonhos, talvez! Acendeu um cigarro que fumou! Sentiu o fumo entrar-lhe nos pulmões… Como o ar frio numa manhã de Janeiro… Deixou-se ficar a pensar… Mais a pensar nos sonhos que nunca teve, do que nos que perdeu… Mais a pensar no filho que nunca viu crescer do que nos que queria ter… Mais a pensar no que poderia ter tido, mas que nunca sonhou… Na surpresa que o Mundo lhe guardaria se não… Sabia agora que tinha saudades dele… Do seu perfume, não daquele no frasquinho giro que lhe tinha oferecido… Mas, sim, do seu cheiro… Dos boxers no sofá, da toalha de banho no chão, das botas na sala, até daquele habito irritante de deixar sempre alguns pelos no lavatório depois de desfazer a barba…

(queria voltar para dentro!)

Acendeu outro cigarro e deixou ficar a olhar as estrelas… Aquelas constelações que conhecia por ele as ter apresentado… Sorria, lindo, olhando-as como uma criança enquanto contava como se chamavam e onde estavam…

Porque não ouvi com mais atenção!?

Lembrou-se, então, porque tinha comprado uma casa nova… Queria-o fora da sua vida… Queria dizer o Adeus que nunca disse… Queria seguir em frente, mas não conseguiu, pois não?

(uma suave lágrima escorreu no seu belo rosto! hoje, sob este céu estrelado e esta pequeníssima lua em quarto crescente, mais belo que o costume! não que não fosse bonita, mas hoje… e esta lágrima que escorre, iluminando uma pequena parte do seu rosto… esta lágrima que agora se suspende no seu queixo, teimosa... e teima, em não cair e não cai mesmo…. ela limpa-a com um suave toque…)

Porque é que não lhe disse antes… Se tivesse dito, naquela manhã de Outubro… Se… Talvez…

(porque não disse!?) – agora nunca saberei

(dizer o quê? – conta-me a mim, eu sei… eu sei os se’s, e os talvez… – dizer o quê?)

Começou a chorar, não de forma violenta ou patética… Um choro profundo de tristeza e desconsolo, um choro do coração que não se ouve ou se vê…

(mas eu vejo, eu sinto, eu sei… conta-me? dizer o quê?)

O Adeus que nunca disse… O Adeus que nunca disse… O Adeus…

Adeus…

Adeus…

Adeus…

(como se repetir três vez adiantasse de alguma coisa, agora não… é certo… agora não… porque não disse logo naquela manhã de Outubro… porque não…)

Pensou no seu rosto a sorrir quando lhe contasse, o sorriso que nunca viu, a alegria que nunca sentiu… Que podia ter sido com aquele pôr-do-Sol, naquela praia perto de casa, naquela tarde de Outubro… Mas naquela manhã preferiu não dizer… Não o queria deixar expectante… Já sabia como ele iria ficar… Como ficava sempre… Porque não lhe disse… Se lhe tivesse dito talvez ele…

(dito o quê?)

Talvez ele… Talvez o Simão… Talvez o Simão não se tivesse matado…

(dito o quê?... tu não sabes… tu não sabes isso, mas eu sei! deixa-me ajudar-te…)

Sim, naquela manhã de Outubro, em que o Sol espreitava tímido por entre algumas nuvens cinzentas… como gostava de o ver assim na cama, calmo e lindo, a respirar profundamente, tão suave quanto o Sol a levantar-se no horizonte… Esse Sol que ele olhava, agora, desconfiado… E ela já pronta, olhava-o com censura… Espreguiçou-se lentamente e levantou-se pronto da cama, deu-lhe um beijo terno, ela sentiu… e sabe agora que foi o seu último beijo… Podia ter respondido mais apaixonadamente… Mas tinha pressa queria fazer-lhe uma surpresa quando chegasse a casa… Queira mesmo, sinceramente… não o diz agora que não há nada a fazer… Queria mesmo… Soluçou!

(que surpresa? – conta-me!)

A noite estava fria, apesar de Junho se encontrar já no final, abraçou-se a si própria… Não queria voltar para dentro… Sentia-se próxima dele, ali… Apesar da casa ser outra, não a casa das suas recordações… mas era uma casa, um Lar…

Queria tanto ter-lhe dito logo…

(dito o quê?)

Porque não disse logo que nessa tarde ia ao médico… que nesse por-do-Sol, naquela praia, naquela tarde de Outubro iram estar a ver a primeira foto do seu filho… Porque não disse que o sabia… que o sentia, mais forte do que si… Aquele sentir que só uma Mãe sabe… Porque não disse logo…

(acendeu outro cigarro… este trazia o sabor metálico que arranha a garganta… queria apagá-lo…)

Sentiu a porta de casa a abrir… Apagou o cigarro e voltou, finalmente, para dentro… Um míudo, que aparentava uns quatro/cinco anos entretinha-se alegremente, fascinado... como qualquer criança… Os seus olhos brilhavam, como ela imaginava que os do seu pai brilhariam naquela idade que agora era sua! Sorriu, e olhou o quadro na parede, como se fosse a primeira vez, ou a última… Na cadeira de baloiço um homem descalçava-se, chegou por trás dele e abraçou-o como se fosse a primeira vez, ou a última!

(simão… tive tantas saudades tuas!)

Suspirou!

quarta-feira, abril 25, 2007

Filmes da nossa vida...

Quantos de nos já nos sentimos identificados com um personagem de um determinado filme? Provavelmente faria mais sentido fazer a pergunta inversa…

Desde o filme de acção, passando por um thriller, drama, filme de terror até à comédia romântica certamente já nos reinventámos através do nosso pensamento projectando o nosso ego em cenários diversos. Esta forma de sermos vistos projectados nos filmes seria uma outra forma de entretenimento para além da trama principal do filme em si. Sem direitos de autor nem autorização de emissão vamos construindo películas que extravasam a nossa própria realidade ou a do filme que estamos a ver naquele momento, editando conforme os interesses da nossa mente.

Eu arriscaria que esta forma de nos projectarmos para fora da realidade estaria na génese do cinema em si como materialização daquilo que o cérebro humano sempre fez, ora durante o sono ou até mesmo em alguns momentos em que estamos acordados

Depois temos o suporte em que está guardado o filme que pode ir desde as bobinas de projecção em cinemas passando pelo VHS em formato magnético, sem esquecer o formato digital até chegar ao formato neuronal formado a partir das virtualmente infinitas possibilidades de ligação dos nossos neurónios entre si possibilitando uma combinação de cenários e personagens igualmente incontável. Se nos primeiros formatos o filme é unidireccional, nos últimos, as possibilidades de combinação entre neurónios conduzem a diversas possibilidades de desfecho resultado do estado físico/cognitivo/afectivo actual de determinado indivíduo. De certa maneira podíamos imaginar o nosso destino, o “filme” das nossas vidas, como resultado de sucessões de predisposições numa dinâmica de interacção de situações internas e externas inseridas num espaço/tempo determinado e variável a cada momento do nosso dia a dia.

Em genérico, o nosso cérebro tem a capacidade de “visualizar” o que nos vai acontecendo a nós ou até aos outros, realidade ou ficção e de construir na nossa mente uma reprodução mais ou menos fiel ao que aconteceu (memória), numa interacção mais ou menos intensa com outros fragmentos na nossa memória (criatividade). Em suma somos seres inteligentes com capacidades de tomar decisões a cada instante.

segunda-feira, dezembro 11, 2006

Caminhando para o Inverno

Noite...
Triste, ver desaparecer contigo a vontade.
Deito-me sonhando no amanhã, na nova alvorada.

Frio...
Olhar pela janela e sentir como o corpo regela.
Os pés já não sentem a ombreira sibilando.

Quente...
O fogão, e a água que se entornou...
Os olhos reencontram um brilho....

É dia...
De liberdade, aquecida no frio que não desaparece.
No consolo o espírito conquista uma nova energia.

É dia! Mas na vida um ciclo tem diferentes realidades.