Traição
e todas as vozes me fazem triste
e todos os pensamentos me fazem mal
Traição
meu corpo gela no calor do dia
deixando minha alma em brasa no escuro da noite
Nunca terei uma vida diferente
Nunca terei um caminho diferente
Mas sei que continuarei a viver
Quero fugir do carreiro
Quero fugir da prisão
Suicida-me
Mas continuarei aqui
enquanto tu aqui estiveres
Sou aquele que vês
embora não seja quem queiras
Traição...
Meu caminho está nesta linha
Minha vida está protegida na tua mão
Deixa-me fugir
Suicida-me
segunda-feira, junho 01, 2009
quarta-feira, maio 27, 2009
Cave
Na cave desse prédio mora um horroroso animal
Desprovido de regras, de costumes e qualquer tipo de moral.
Vive de alimentar essa sua fome natural
De tudo um pouco o que os de cima vêem como Mal...
Não vive feliz esse animal.
Vive enraivecido e embrutecido
Nú de sentimentos, incapaz de sentir
Preso e agaiolado, sem vontade de fugir!
Como chegou tão fundo?
Foi um dia em que um homem belo e elegante,
Que passeava pelas ruas, admirava as cores
Alegrava-se com os ruídos, cumprimentava as pessoas...
As pessoas, a sua queda!
Agradava a todas sem exepção
Até aquelas que nada lhe eram.
Procurava viver, numa semana, tudo o que a vida lhe oferecia
Não durou pessoa mais de um dia!
Vencido pelos prazeres da carne à segunda-feira,
Entregou-se ali logo a uma rameira de fina-flor
Que o mergulhou com cigarros num torpor inebriante
Com o qual contagia quem na sua cave entra!
Na cave do meu prédio mora um animal.
Ser estranho e perverso, que me torna aos outros adverso,
Que me arrasta para baixo, me devora,
Sentimentos néscios traz cá para fora...
Viu no outro dia, pela janela, uma criança.
Espantou-se com o seu ar de abelha mansa,
Gatinhou até às grades da janela e apreciou
O seu andar; com atenção olhou a sua figura
E uma pata lançou pela ranhura das grades
Querendo nela enfiar as suas garras aguçadas.
Sabe bem como fala a criatura
Que nessa cave se deita na pedra dura
Sorvendo ervas que vieram da lonjura do mar
E que suaves perfumes deitam no ar.
À medida que se sopram, puf... puf...
Adormecendo-me os sentidos, ficando mais e mais perdido
Quanto mais me acho e encontro.
Puf... Puf...
Lembro a criança... Cintura fininha e peitos já salientes
Nos meus membros sinto já formigueiros
E meus pensamentos esvoaçam para dias mais quentes
De areias tórridas, onde leis do Homens
Não amarram animais em caves frias.
Desprovido de regras, de costumes e qualquer tipo de moral.
Vive de alimentar essa sua fome natural
De tudo um pouco o que os de cima vêem como Mal...
Não vive feliz esse animal.
Vive enraivecido e embrutecido
Nú de sentimentos, incapaz de sentir
Preso e agaiolado, sem vontade de fugir!
Como chegou tão fundo?
Foi um dia em que um homem belo e elegante,
Que passeava pelas ruas, admirava as cores
Alegrava-se com os ruídos, cumprimentava as pessoas...
As pessoas, a sua queda!
Agradava a todas sem exepção
Até aquelas que nada lhe eram.
Procurava viver, numa semana, tudo o que a vida lhe oferecia
Não durou pessoa mais de um dia!
Vencido pelos prazeres da carne à segunda-feira,
Entregou-se ali logo a uma rameira de fina-flor
Que o mergulhou com cigarros num torpor inebriante
Com o qual contagia quem na sua cave entra!
Na cave do meu prédio mora um animal.
Ser estranho e perverso, que me torna aos outros adverso,
Que me arrasta para baixo, me devora,
Sentimentos néscios traz cá para fora...
Viu no outro dia, pela janela, uma criança.
Espantou-se com o seu ar de abelha mansa,
Gatinhou até às grades da janela e apreciou
O seu andar; com atenção olhou a sua figura
E uma pata lançou pela ranhura das grades
Querendo nela enfiar as suas garras aguçadas.
Sabe bem como fala a criatura
Que nessa cave se deita na pedra dura
Sorvendo ervas que vieram da lonjura do mar
E que suaves perfumes deitam no ar.
À medida que se sopram, puf... puf...
Adormecendo-me os sentidos, ficando mais e mais perdido
Quanto mais me acho e encontro.
Puf... Puf...
Lembro a criança... Cintura fininha e peitos já salientes
Nos meus membros sinto já formigueiros
E meus pensamentos esvoaçam para dias mais quentes
De areias tórridas, onde leis do Homens
Não amarram animais em caves frias.
Liberdade
Convidei para jantar certo dia a liberdade.
É moça de idade avançada...
Veste colarinhos e mangas compridas e para o repasto
impôs, pasme-se então, que a certos regras me prestasse!
Não queria vir de dia, noite cerrada tinha de ser,
Porque o véu escuro da lua nova
Esconde de seus olhos as vergonhas
Que em seu nome os Homens se fazem sofrer.
É moça de idade avançada...
Veste colarinhos e mangas compridas e para o repasto
impôs, pasme-se então, que a certos regras me prestasse!
Não queria vir de dia, noite cerrada tinha de ser,
Porque o véu escuro da lua nova
Esconde de seus olhos as vergonhas
Que em seu nome os Homens se fazem sofrer.
sábado, maio 23, 2009
Quando quiz a tua carne,
Negaste-ma!
Persegui-te por ruas e vielas
E fugias-me!
Correndo como louca, possuída
Pelo pânico da presa perseguida,
Fugindo de um predador ávido,
Sedento e esfomeado.
Sabias que te alcançaria.
Sabia-lo e mesmo assim fugias
Tentando tornar a noite que se avizinhava
Em radioso e caloroso dia!
É escura no entanto essa rua,
Onde a fria e pálida lua de Inverno
brilha, iluminando as ásperas mãos minhass
Que a tua existência tornarão Inferno...
Pelo menos nos próximos instantes!
Negaste-ma!
Persegui-te por ruas e vielas
E fugias-me!
Correndo como louca, possuída
Pelo pânico da presa perseguida,
Fugindo de um predador ávido,
Sedento e esfomeado.
Sabias que te alcançaria.
Sabia-lo e mesmo assim fugias
Tentando tornar a noite que se avizinhava
Em radioso e caloroso dia!
É escura no entanto essa rua,
Onde a fria e pálida lua de Inverno
brilha, iluminando as ásperas mãos minhass
Que a tua existência tornarão Inferno...
Pelo menos nos próximos instantes!
sexta-feira, maio 22, 2009
Tempestade
Já a vejo lá ao fundo
Com o seu ar pesado carregado
Em tons negros contra os raios brilhantes
Avança empurrada na minha direcção.
Já o oiço,
Sopro invisível
Arauto da violência
Ventos gélidos e sibilantes
Nas copas distantes silvando
Eis que chega agora
Descarrega em mim a sua força
Aceito-a!
Recebo de face erguida o golpe
Das grossas gotas de água que me banham a face
Sou empurrado pelos violentos ventos que me movem
E em tudo vejo e sinto e oiço
O doce travo da passagem do Cabo...
Com o seu ar pesado carregado
Em tons negros contra os raios brilhantes
Avança empurrada na minha direcção.
Já o oiço,
Sopro invisível
Arauto da violência
Ventos gélidos e sibilantes
Nas copas distantes silvando
Eis que chega agora
Descarrega em mim a sua força
Aceito-a!
Recebo de face erguida o golpe
Das grossas gotas de água que me banham a face
Sou empurrado pelos violentos ventos que me movem
E em tudo vejo e sinto e oiço
O doce travo da passagem do Cabo...
quarta-feira, abril 29, 2009
Leva-me contigo para essa praia distante
Onde ao luar soltaste os cabelos e ofegante
Descobriste a religião
Chamando por Deus de costas no chão
A brisa marítima como orvalho da manhã
Lava-me já o rosto que acaricias com o cachecol de lã
E pudera eu ser o mar que te beija os pés
Não estaria tão cheio de fé
Que aqui viemos para tu te mostrares
E não como queria para me amares
Onde ao luar soltaste os cabelos e ofegante
Descobriste a religião
Chamando por Deus de costas no chão
A brisa marítima como orvalho da manhã
Lava-me já o rosto que acaricias com o cachecol de lã
E pudera eu ser o mar que te beija os pés
Não estaria tão cheio de fé
Que aqui viemos para tu te mostrares
E não como queria para me amares
sexta-feira, abril 24, 2009
Gostava de ser eu
Gostava de ser eu a dizer
que te coloquei a salvo
e te agarrei nos meus braços
Gostava de ser eu a correr
para te deixar a salvo
e tirar-te o medo
Gostava de ser eu a levar-te
para longe de tudo
e perto de mim
Gostava de ser eu a sossegar-te
que nada de mal ocorreu
e que continuas aqui
Gostava de ser eu a levar-te para casa
e deixar-te lá para sempre
sem precisares de sair
Mas ambos sabemos que a casa já não existe
estamos soltos no mundo
e somos nós que temos de lutar
Gostava de levar-te para casa
que te coloquei a salvo
e te agarrei nos meus braços
Gostava de ser eu a correr
para te deixar a salvo
e tirar-te o medo
Gostava de ser eu a levar-te
para longe de tudo
e perto de mim
Gostava de ser eu a sossegar-te
que nada de mal ocorreu
e que continuas aqui
Gostava de ser eu a levar-te para casa
e deixar-te lá para sempre
sem precisares de sair
Mas ambos sabemos que a casa já não existe
estamos soltos no mundo
e somos nós que temos de lutar
Gostava de levar-te para casa
e proteger-te
mas tenho tanto medo
quarta-feira, abril 15, 2009
Suores frios acordam-ne na noite,
Despertando-me de um sonho mau...
Olhando o vazio na penumbra,
Visões nebulosas retornam à minha mente.
Recordo imagens em que voltavas a fugir-me
Uma vez mais, sem sentido, sem motivo...
Recordo palavras mudas dolorosas,
Uma vez mais, tão étereas quanto reais.
Tremendo, estendo o braço na tua direcção
Esquecendo, confuso, como está vazio.
Ignorando as cicatrizes que teimam em abrir
Abraço a tua almofada fria, suspirando...
[Adormeço,
embalado pela recordação do teu perfume,
que me traz um breve sono imaculado]
Despertando-me de um sonho mau...
Olhando o vazio na penumbra,
Visões nebulosas retornam à minha mente.
Recordo imagens em que voltavas a fugir-me
Uma vez mais, sem sentido, sem motivo...
Recordo palavras mudas dolorosas,
Uma vez mais, tão étereas quanto reais.
Tremendo, estendo o braço na tua direcção
Esquecendo, confuso, como está vazio.
Ignorando as cicatrizes que teimam em abrir
Abraço a tua almofada fria, suspirando...
[Adormeço,
embalado pela recordação do teu perfume,
que me traz um breve sono imaculado]
quinta-feira, abril 02, 2009
Quem me dera que a rua não tivesse fim...
Passeio...
Por estas ruas ao entardecer,
Contando todos os meus passos,
Arrastando-me com demora,
Atrasando os minutos de cada hora...
E o que me falta percorrer
Já são uns metros escassos.
Vagueio...
Porque as armas todas já usei:
Perdi-me pelas estradas desertas,
Nas luzes de um centro comercial,
Numa tasca deveras banal.
Todos os caminhos calcorreei
Nestas horas incertas...
Receio:
Quem me dera nunca chegar,
Quem me dera não ser assim,
Quem me dera nada dizer,
Quem me dera puder esquecer,
Quem me dera de outra forma acabar...
Quem me dera que a rua não tivesse fim.
Por estas ruas ao entardecer,
Contando todos os meus passos,
Arrastando-me com demora,
Atrasando os minutos de cada hora...
E o que me falta percorrer
Já são uns metros escassos.
Vagueio...
Porque as armas todas já usei:
Perdi-me pelas estradas desertas,
Nas luzes de um centro comercial,
Numa tasca deveras banal.
Todos os caminhos calcorreei
Nestas horas incertas...
Receio:
Quem me dera nunca chegar,
Quem me dera não ser assim,
Quem me dera nada dizer,
Quem me dera puder esquecer,
Quem me dera de outra forma acabar...
Quem me dera que a rua não tivesse fim.
segunda-feira, março 30, 2009
Ohhh
Ohhh... primavera! Eterna paixão!
Trocam-se beijos, afastando o frio.
Ohhh... folhinhas! Jovem natureza!
Voam insectos, lavrando a inocência.
Ohhh... clorofila! Soberba na energia!
Respira oxigénio, purificando a vida.
Ohhh... Luz! Cresce dia após dia!
Iluminas trilhos, encontraste-me o caminho.
Trocam-se beijos, afastando o frio.
Ohhh... folhinhas! Jovem natureza!
Voam insectos, lavrando a inocência.
Ohhh... clorofila! Soberba na energia!
Respira oxigénio, purificando a vida.
Ohhh... Luz! Cresce dia após dia!
Iluminas trilhos, encontraste-me o caminho.
sexta-feira, março 27, 2009
De manhã saí à rua
O Sol já vai alto e agora aquece. A leve brisa do rio deu lugar a uma aragem quente e começo-me a sentir desconfortável. Começa também a surgir a curiosidade sobre aquele corpo que repousa na cama. Vou até à bolsa que ficou no hall de entrada para procurar a identificação. No caminho imensas fotos dela e de um casal claramente mais velho, ora o casal, ora ela, ora ainda os três juntos... Na carteira a confirmação do crime cometido! Foi bom, é certo, mas agora está na hora de ir.
Visto-me à pressa e saio porta fora. Entro no café que há na esquina e sento-me na esplanada. Peço uma torrada e um sumo de laranja e pego no jornal da mesa do lado. As notícias não me animam, mas o reflexo de folhear o jornal vem de há muitos anos, ajuda a pensar... Por entre uma página e outra vou olhando a janela do quarto, que vejo estar agora aberta. Por um instante penso em voltar e falar com ela, mas depois passa-me e mergulho novamente no jornal. Com a noção do tempo desaparecida vejo que a torrada e o sumo já estão na mesa. Como lentamente para saborear, não a comida mas o ar fresco das manhãs à beira-rio. Absorvo não o alimento, mas aquele estado bucólico de fim-de-semana, em que os dias são maiores e as manhãs mais lentas, tão iguais e tão diferentes de todos os outros dias.
Levanto por acaso a cabeça e nesse instante vejo-a, cabelos escuros soltos, calças justas e um top revelador! Na mão tem um casaco fininho. Sai de casa e olha em redor, perdendo algum tempo a olhar para a esplanada. Acena-me e segue para o outro lado da rua.
Não sei se ela sabe que eu sei o que fiz... Não sei se sabe que, por muito que eu queira, não haverá outra noite. Não sei se sei que haverão outras noites, só não estarei lá para saber. O que sei é que na próxima sexta, já tenho sítio para ir sair!
Visto-me à pressa e saio porta fora. Entro no café que há na esquina e sento-me na esplanada. Peço uma torrada e um sumo de laranja e pego no jornal da mesa do lado. As notícias não me animam, mas o reflexo de folhear o jornal vem de há muitos anos, ajuda a pensar... Por entre uma página e outra vou olhando a janela do quarto, que vejo estar agora aberta. Por um instante penso em voltar e falar com ela, mas depois passa-me e mergulho novamente no jornal. Com a noção do tempo desaparecida vejo que a torrada e o sumo já estão na mesa. Como lentamente para saborear, não a comida mas o ar fresco das manhãs à beira-rio. Absorvo não o alimento, mas aquele estado bucólico de fim-de-semana, em que os dias são maiores e as manhãs mais lentas, tão iguais e tão diferentes de todos os outros dias.
Levanto por acaso a cabeça e nesse instante vejo-a, cabelos escuros soltos, calças justas e um top revelador! Na mão tem um casaco fininho. Sai de casa e olha em redor, perdendo algum tempo a olhar para a esplanada. Acena-me e segue para o outro lado da rua.
Não sei se ela sabe que eu sei o que fiz... Não sei se sabe que, por muito que eu queira, não haverá outra noite. Não sei se sei que haverão outras noites, só não estarei lá para saber. O que sei é que na próxima sexta, já tenho sítio para ir sair!
quarta-feira, março 25, 2009
À noites as sensações, num quarto desconhecido...
Acelero rumo a norte, com a bússola dos sentidos desorientada. Não se pense, por falar em acelerar, que sigo a uma velocidade estonteante. Não! Não o consigo fazer... Ela, no banco do passageiro, está sentada de lado, a olhar-me e a acariciar-me de tal forma que meter as mudanças é tarefa complicada, pois a cada saída de rotunda, ou curva para a direita, a mão dela resvala da minha coxa em direcção à minha virilha. O percurso, que foi rápido, durou uma eternidade. Nos metros finais ela ia dando indicações, "vira ali, corta naquela, estaciona já que a minha casa é aquela", e eu obedecia cegamente, "sim, sim estou a ver", mas as imagens andam a mil e nem vejo bem onde estou. Do outro lado do rio, Lisboa, a boémia, olha-nos e sorri marota, como que dando a sua permissão para o que vai suceder.
Subimos as escadas de madeira para um primeiro andar. Não nos preocupamos com o ranger, mas não se pense que subimos a correr. Ela abriu a porta, deu-me a mão e passámos, um de cada vez, a estreita porta. Na escuridão guiou-me até ao quarto dela e não pude, apesar do grau de excitação, deixar de ficar abismado. De certo modo aquele momento fez a minha mente desfocar-se e ela, sentido que me estava a perder, aproximou-se pelas minhas costas e, com as mãos bem juntinhas à minha pele, começou a tirar-me a camisola. Fazia-o lentamente e com as palmas a tocarem-me o peito, acariciando-me e levantando-me a roupa. Quando a última manga passou pela minha mão direita, um puxão virou-me e dei comigo a olhá-la de frente.
Com as luzes reflectidas pelo rio a banharem-me as costas e as bochechas esfomeadas dela, comecei a sentir-lhe os lábios a acariciar-me a pele. Primeiro nas orelhas, descendo ao pescoço, uma trinca suave nos mamilos, a lingua a percorrer-me a barriga enquanto as mãos iam empurrando a roupa para baixo, com as unhas a percorrer-me o interior das pernas. Até que ela parou!
Parou porque os sapatos impediam as minhas calças e os boxers de saírem. Parou, mas não atrapalhada. Parou e olhou-me nos olhos e vi nos dela um brilho malévolo que teve consequências ao nível da minha virilha, reacção que despoletou um risinho por parte dela. Parou para me atirar para a cama, com um colchão algo mole e que afundava no meio e enquanto eu caía começou a despir-se da cintura para baixo, à medida que se aproximava da cama. Eu olhava e apreciava! O mesmo balouçar de cintura da pista de dança era agora repetido para expôr mais e mais rendilhado escarlate. Descalçou-se, retirou as calças, dobrando-se toda, com as nádegas redondas a balouçar, viradas para mim, junto à cama.
Acabou de remover as roupas, mas não se virou para mim. Ao invés, sempre de costas, colocou o joelho direito na cama e passou com a perna esquerda por cima de mim. Quando recuperei da estupefacção tinha os rendilhado vermelhos, onde se via uma penugem enfraquecida, a roçar-me na cara e sentia grande agitação nas virilhas. A partir daquele momento, senti necessidade de alinhar pela vontade dela.
Durante o que sobrou da noite, passámos muito tempo com o meu peito a tocar-lhe nas costas, em movimento perpétuos, em carícias sugestivas, mudando da cama para a janela, da janela para o chão, e ora se sentava ela em mim, ora lhe levantava eu as pernas, até que, derreados pelo esforço, cedemos à luz mortiça dos candeeiros de rua e adormecemos.
Subimos as escadas de madeira para um primeiro andar. Não nos preocupamos com o ranger, mas não se pense que subimos a correr. Ela abriu a porta, deu-me a mão e passámos, um de cada vez, a estreita porta. Na escuridão guiou-me até ao quarto dela e não pude, apesar do grau de excitação, deixar de ficar abismado. De certo modo aquele momento fez a minha mente desfocar-se e ela, sentido que me estava a perder, aproximou-se pelas minhas costas e, com as mãos bem juntinhas à minha pele, começou a tirar-me a camisola. Fazia-o lentamente e com as palmas a tocarem-me o peito, acariciando-me e levantando-me a roupa. Quando a última manga passou pela minha mão direita, um puxão virou-me e dei comigo a olhá-la de frente.
Com as luzes reflectidas pelo rio a banharem-me as costas e as bochechas esfomeadas dela, comecei a sentir-lhe os lábios a acariciar-me a pele. Primeiro nas orelhas, descendo ao pescoço, uma trinca suave nos mamilos, a lingua a percorrer-me a barriga enquanto as mãos iam empurrando a roupa para baixo, com as unhas a percorrer-me o interior das pernas. Até que ela parou!
Parou porque os sapatos impediam as minhas calças e os boxers de saírem. Parou, mas não atrapalhada. Parou e olhou-me nos olhos e vi nos dela um brilho malévolo que teve consequências ao nível da minha virilha, reacção que despoletou um risinho por parte dela. Parou para me atirar para a cama, com um colchão algo mole e que afundava no meio e enquanto eu caía começou a despir-se da cintura para baixo, à medida que se aproximava da cama. Eu olhava e apreciava! O mesmo balouçar de cintura da pista de dança era agora repetido para expôr mais e mais rendilhado escarlate. Descalçou-se, retirou as calças, dobrando-se toda, com as nádegas redondas a balouçar, viradas para mim, junto à cama.
Acabou de remover as roupas, mas não se virou para mim. Ao invés, sempre de costas, colocou o joelho direito na cama e passou com a perna esquerda por cima de mim. Quando recuperei da estupefacção tinha os rendilhado vermelhos, onde se via uma penugem enfraquecida, a roçar-me na cara e sentia grande agitação nas virilhas. A partir daquele momento, senti necessidade de alinhar pela vontade dela.
Durante o que sobrou da noite, passámos muito tempo com o meu peito a tocar-lhe nas costas, em movimento perpétuos, em carícias sugestivas, mudando da cama para a janela, da janela para o chão, e ora se sentava ela em mim, ora lhe levantava eu as pernas, até que, derreados pelo esforço, cedemos à luz mortiça dos candeeiros de rua e adormecemos.
Resgate
Do teu sorriso fiz a minha religião
Do teu abrir e fechar de olhos a minha lua e sol
Do teu toque a minha pele
Trouxe a má fortuna a anti-fé nos nossos erros
O eclipse total na fraqueza dos nossos horizontes
O empurrar para o exílio dos teus braços
Eis agora uma alvorada por estrear... só nossa
Um novo evangelho de amar, resgatado
As bases um palácio indestrutível de carícias
... que só a nós compete edificar.
Se acreditarmos bastante
Se sofrermos muito
Se enlouquecermos muito mais que os loucos
Se, finalmente, nos embriagarmos nas fontes da nossa harmonia
....Se tudo largarmos
....até nós prórpios...
... e sermos somente...
...Amor
Do teu abrir e fechar de olhos a minha lua e sol
Do teu toque a minha pele
Trouxe a má fortuna a anti-fé nos nossos erros
O eclipse total na fraqueza dos nossos horizontes
O empurrar para o exílio dos teus braços
Eis agora uma alvorada por estrear... só nossa
Um novo evangelho de amar, resgatado
As bases um palácio indestrutível de carícias
... que só a nós compete edificar.
Se acreditarmos bastante
Se sofrermos muito
Se enlouquecermos muito mais que os loucos
Se, finalmente, nos embriagarmos nas fontes da nossa harmonia
....Se tudo largarmos
....até nós prórpios...
... e sermos somente...
...Amor
terça-feira, março 24, 2009
Vagabundo
Vagueando as ruas da cidade
Com a mala cheia
Um espírito vazio e triste
O tempo a castigar o rosto
Com a chuva que refresca e liberta
Vai um homem perdido no caminho
Que sabe onde fica o seu fim
Soube outrora onde ficavam todos os lugares do mundo
Mas não sabia onde ficavam os lugares da alma
Perante uma demonstração de ignorância tal
Fez a sua mala com os sonhos da sua cidade
E partiu
Pelo mundo fora andou
Ficando mais burro a cada dia que passava
E agora que chegou à sua cidade
Descobriu que não a reconhece, não é mais sua.
Com a mala cheia
Um espírito vazio e triste
O tempo a castigar o rosto
Com a chuva que refresca e liberta
Vai um homem perdido no caminho
Que sabe onde fica o seu fim
Soube outrora onde ficavam todos os lugares do mundo
Mas não sabia onde ficavam os lugares da alma
Perante uma demonstração de ignorância tal
Fez a sua mala com os sonhos da sua cidade
E partiu
Pelo mundo fora andou
Ficando mais burro a cada dia que passava
E agora que chegou à sua cidade
Descobriu que não a reconhece, não é mais sua.
quinta-feira, março 12, 2009
as horas
grita o meu nome
como eu grito a saudade
e a terra e as pedras enchem-me
o ventre grávida sem fim
como a besta ferida
nada em mim é acalmia
não tentes pintar a cor do desespero
nesta ausência sem fim
em que caminho por entre os seixo pontiagudos
descobrindo as ruínas do mundo
nunca as horas foram tão longas
como eu grito a saudade
e a terra e as pedras enchem-me
o ventre grávida sem fim
como a besta ferida
nada em mim é acalmia
não tentes pintar a cor do desespero
nesta ausência sem fim
em que caminho por entre os seixo pontiagudos
descobrindo as ruínas do mundo
nunca as horas foram tão longas
segunda-feira, março 09, 2009
Mutantes S21
Cresci a olhar o tejo. A ver os barcos a entrarem e a saírem num rodopio constante. Na altura, ainda a Lisnave era a Lisnave e não um deserto de ferro e cimento. Na altura, a distância de Almada a Lisboa era superior aos vinte minutos do barco e os sonhos iam-se diluindo nas sujas águas do Tejo. Cresci a olhar o Tejo e como ele prometi correr na direcção do mar, ver outros portos e outras paragens, marinheiro livre num mar prazeres imensos, por entre fumos e orgias, mortes e fugas.
Como o Tejo viajei pelo mundo, fiz-me nuvem negra de paradeiro incerto e numa manhã negra chovi em Almada, capital de todo o meu mundo e que contempla essa capital de província onde a nossa aventura começou. Foi num tempo agora incerto, em que não sabíamos quem éramos, uma viagem por todo um mundo novo, uma iniciação à arte de viver... E que bem nos soube viver! Saborear o doce néctar da libertinagem, galopar nas ondas dos sentidos inebriados e sair, desse turbilhão, adultos e acordados, saudosos para todo o sempre desses meses, desejosos que mais ninguém repita os nossos passos, mas com a vontade que todos façam a sua viagem, se libertem de si mesmos, que peguem naquilo que são e no meio da transcrição diária, que é a rotina do dia-a-dia, dêem um pontapé numa perna e se tornem num mutante de si mesmos, nunca retornando ao que eram, acumulando erros e erros como forma de evoluírem, de se libertarem dos espartilhos mentais que em nós são incutidos desde crianças.
...
Ao fim de tantos anos contemplo novamente o Tejo. Ouço as sereias dos barcos e vejo as ruínas da Lisnave. Nas ruas os putos arrastam-se sem objectivos, desfrutam os dias com a obrigação única de chegarem até amanhã sem envelhecerem. Os que dum dia para o outro envelhecem, cedo arranjam quem sustentar com o seu suor. Não é para mim esta vida. Olho o Tejo enquanto enrolo uma broca e lembro-me que foi com uma broca na boca que apanhei o táxi para o Casal Ventoso.
Como o Tejo viajei pelo mundo, fiz-me nuvem negra de paradeiro incerto e numa manhã negra chovi em Almada, capital de todo o meu mundo e que contempla essa capital de província onde a nossa aventura começou. Foi num tempo agora incerto, em que não sabíamos quem éramos, uma viagem por todo um mundo novo, uma iniciação à arte de viver... E que bem nos soube viver! Saborear o doce néctar da libertinagem, galopar nas ondas dos sentidos inebriados e sair, desse turbilhão, adultos e acordados, saudosos para todo o sempre desses meses, desejosos que mais ninguém repita os nossos passos, mas com a vontade que todos façam a sua viagem, se libertem de si mesmos, que peguem naquilo que são e no meio da transcrição diária, que é a rotina do dia-a-dia, dêem um pontapé numa perna e se tornem num mutante de si mesmos, nunca retornando ao que eram, acumulando erros e erros como forma de evoluírem, de se libertarem dos espartilhos mentais que em nós são incutidos desde crianças.
...
Ao fim de tantos anos contemplo novamente o Tejo. Ouço as sereias dos barcos e vejo as ruínas da Lisnave. Nas ruas os putos arrastam-se sem objectivos, desfrutam os dias com a obrigação única de chegarem até amanhã sem envelhecerem. Os que dum dia para o outro envelhecem, cedo arranjam quem sustentar com o seu suor. Não é para mim esta vida. Olho o Tejo enquanto enrolo uma broca e lembro-me que foi com uma broca na boca que apanhei o táxi para o Casal Ventoso.
quinta-feira, março 05, 2009
perda
vejo o rio e o gelo
e as pedras
e o lobo assalta-me
a fúria a angústia o medo
e só tu podes salvar-me
o que foi que perdi no fogo
o meu corpo o teu corpo aquele ser
mais que eu
que se perdia e encontrava
na curva do teu ombro
no conforto da tua face
e os cortes
nos meus braços nos meus pulsos na minhas veias
escorrem o sangue
que grita o teu nome
e as pedras
e o lobo assalta-me
a fúria a angústia o medo
e só tu podes salvar-me
o que foi que perdi no fogo
o meu corpo o teu corpo aquele ser
mais que eu
que se perdia e encontrava
na curva do teu ombro
no conforto da tua face
e os cortes
nos meus braços nos meus pulsos na minhas veias
escorrem o sangue
que grita o teu nome
domingo, março 01, 2009
Tempo
Tempo livre a mais
Enquanto geme na cadeira
O meu cérebro grita por mais
Tardes estendido na eira!
Enquanto geme na cadeira
O meu cérebro grita por mais
Tardes estendido na eira!
Primavera
O Sol ergue-se das copas das árvores
Onde durante a noite reposou
Banhando de luz e apagando as dores
De todas as criaturas que um dia criou
A Natureza, embalada pelo encanto
Que lhe causava um estranho sentimento
De no mundo onde faltava tanto
Não haver quem desse contentamento
À vastidão imensa do nada
Que ficou com tal ocupação
Quando esse castanho que desagrada
Se transformava numa estação
Verde que é a Primavera!
Onde durante a noite reposou
Banhando de luz e apagando as dores
De todas as criaturas que um dia criou
A Natureza, embalada pelo encanto
Que lhe causava um estranho sentimento
De no mundo onde faltava tanto
Não haver quem desse contentamento
À vastidão imensa do nada
Que ficou com tal ocupação
Quando esse castanho que desagrada
Se transformava numa estação
Verde que é a Primavera!
sexta-feira, fevereiro 27, 2009
Indiferença
Lutar?
Lutar para viver
Lutar para crescer
Lutar para dar sem nunca receber
Lutar para viver
Vida que me abandonas
Vida que não compreende
Que não me quer nem me entende
Vida que me faz sofrer
Viver..
Momentos esquecidos
Momentos perdidos
Momentos que vão e nunca voltam
Palavras que custam
Que doem
Palavras que o vento leva
Vida que me abandonas
Sem motivo ou razão
Não tenho coração
Quero ignorar-te e abandonar-te
Como abandonas tudo o que faço por ti
Sem olhar para trás e menos ainda para mim
Tanto que te quero mostrar
Infelizmente o egoísmo não me deixa entrar
A energia vai desvanecendo
A vontade vou perdendo
Já não te quero abraçar
Sangue do teu sangue
Sangue que flui tão diferente
Sangue que questiono e me prende
Vida que me vê indiferente
Lutar para viver
Lutar para crescer
Lutar para dar sem nunca receber
Lutar para viver
Vida que me abandonas
Vida que não compreende
Que não me quer nem me entende
Vida que me faz sofrer
Viver..
Momentos esquecidos
Momentos perdidos
Momentos que vão e nunca voltam
Palavras que custam
Que doem
Palavras que o vento leva
Vida que me abandonas
Sem motivo ou razão
Não tenho coração
Quero ignorar-te e abandonar-te
Como abandonas tudo o que faço por ti
Sem olhar para trás e menos ainda para mim
Tanto que te quero mostrar
Infelizmente o egoísmo não me deixa entrar
A energia vai desvanecendo
A vontade vou perdendo
Já não te quero abraçar
Sangue do teu sangue
Sangue que flui tão diferente
Sangue que questiono e me prende
Vida que me vê indiferente
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