segunda-feira, agosto 28, 2006

Meia-noite

Meia-noite
Nem um som vem do passeio, meus passos batem contra a pedra sem se ouvirem
Paro por um instante, um segundo preso no relógio
A Lua suspende-se no candeeiro, imóvel, por braços que não consigo descortinar
Um sorriso afagando-me a cara dormente onde já não me lembro de sorrir
As folhas do Outono rodeiam-me os pés enquanto o vento faz sentir a sua presença
Meia-noite
Nos prédios só uma luz se vê
As pessoas entregues ao conforto dos lençois
Eu e a Lua, sós, a ver quem sorri menos
Memória
Quero viver outra vez
Viver o tempo em que era eu que controlava a minha vida
Quero poder viver a memória do teu sorriso
Quero poder tocar o teu sonho preso em mim
Meia-noite
Quero poder afastar o candeeiro onde a Lua se suspende
Quero tomá-la nos meus braços e oferecê-la a ti
Pedir o perdão com uma oferta que não poderás recusar
Memória
Onde terei de procurar uma nova vida
Onde não poderei desistir
Meia-noite e memória
A confusão dos meus pesadelos
O segundo que finalmente se liberta do relógio
Agora é tempo de continuar, que venha a madrugada, que a Lua sorria e que a memória caia do candeeiro

2 comentários:

Chas. disse...

Ainda não tinha comentado... Puro esquecimento.
Mas como sempre, gostei bastante deste teu poema e da sua construção.

Hannah disse...

Gostei muito do teu poema. Parabéns