domingo, junho 18, 2006

O mundo nos dias de hoje na perspectiva de um “anónimo"

O mundo civilizado nos dias de hoje é sem dúvida muito diferente das milenares civilizações que nos precederam, de um mundo antigo fragmentado pelo desconhecimento recíproco entre os diversos povos passámos progressivamente a um mundo globalizado. Se outrora tal como nos dias de hoje a tremenda desigualdade entre ricos e pobres foi e é uma constante, as regras essas foram evoluindo.


Da aparente anarquia inicial evoluímos para um mundo regido por regras rígidas, que mais faziam lembrar um jogo de xadrez, onde cada um se comportava como uma peça de tabuleiro executando a sua jogada alienado de qualquer sentido de moralidade, existindo com o único propósito de fazer xeque-mate e assim poder subir um lugar no ranking. Na lista dos mais procurados, o poder era sem duvida o factor chave que fazia mover o mundo.

Nos dias de hoje sem dúvida partilhamos esse mesmo sentido de poder herdado dos antigos ainda que esse poder, salvo raras excepções, já não assente num tirano ou um regime totalitário. Antes, encontra-se dividido em diferentes poderes, assentando o bom funcionamento de um estado na articulação e na flexibilidade de interacção entre os diversos órgãos de soberania.

De diferente maneira os, media surgem como outra forma de poder estabelecendo uma ligação efectiva entre o poder institucional e o povo. Mais ainda, os media surgem como factor globalizante entre as diversas culturas entretendo, denunciando e informando. Se o poder se encontra mais repartido e em certa medida mais transparente ao comum dos mortais através dos media, porque é que é as desigualdades, principalmente aquelas que resultam da violação dos princípios fundamentais dos direitos humanos, subsistem como constante indissociável!? Será que há algum desígnio para tudo isto? Qual o motivo para que esses princípios fundamentais não vigorem? Haverá algum interesse oculto ainda por expor? Sinceramente vejo o mundo em mutação principalmente na percepção da nossa identidade/privacidade sem tempo nem lugar à reflexão. Como nos veremos a nós mesmos daqui a 10 anos? E os outros como serão aos nossos olhos?...

Só espero no futuro, não ter de viver como o humpty dumpty (personagem presente no conto Alice no Pais das Maravilhas de Lewis Carrol) pensando cada passo que haveria de dar para não cair do muro.

sábado, junho 17, 2006

O Amor que tenho não cabe aqui

Parto, uma vez mais,
Em busca dos teus braços

Passo muitas vezes por sítios onde fui feliz,
É um hábito meu.

Percorro a cidade,
Dou cada passo
Como se ainda voltasses
Às vezes perco-me, outras vezes não me encontro.

Vens e para mim hoje é sempre
A minha boca é tua.
Chega-te mais

O Amor que tenho não cabe aqui

Em nenhum porto

- Cabe sim.


Gravo as tuas palavras finais e beijo-te


Vanessa Pelerigo

quarta-feira, junho 14, 2006

Vem até mim

Agora é mais um dia, mais um pequeno fio da minha vida que é traçado, mais um caminho escrito neste pequeno parque que é o mundo. Por entre as sombras e os raios de sol eu vivo, imóvel, curioso, julgando tudo e analisando tudo o que me rodeia. Procuro a informação com todos os meus sentidos, querendo a tua proximidade, querendo-te...

Aproxima-te pé ante pé, vem até ao pé de mim, o teu corpo apetitoso. Deixa-me provar-te, saborear-te, tocar-te. Esquece tudo e vem até mim, devagar. Deixa-me ver-te aproximar, deixa-me ser eu a iniciar contacto. Mas tu não queres, não me vês, nem sabes quem sou, eu, que aqui te espero. Espero-te com toda força que até doi, o meu interior clama por ti, meu corpo alimenta-se do teu até ao fim dos tempos - Mas tu não me vês. Passas por mim e ficas à minha volta e eu desespero.

Terei de ser cuidadoso, terei de esperar por ti? Mas não quero, não é quem eu sou, quero-te agora, quero-te saborear, quero-te com todas as minhas forças. Não quero sucumbir ao teus encantos, quero que vejas os meus, mas eu não os tenho. Sou a força da sombra, o livro ainda por escrever, sou apenas uma linha da vida que tu não vês.

Então não vejas, ignora-me, mas irás ser minha. Irei ter-te, irei saborear-te (quer queiras quer não), irei ser a linha da vida da qual nunca te irás escapar. E por aqui ficarás comigo, e eu irei alimentar-me de ti, obcessivo, compulsivo, horrendo, como o verdadeiro senhor das sombras, como o senhor das linhas da vida, irei sugar o teu nectar, irei matar-te...


(teia de aranha com orvalho - retirada de http://commons.wikimedia.org)


E que venha a próxima vitima...