quinta-feira, março 10, 2011

Crise de meia idade

Todas as vezes que olho para o espelho
as linhas da minha face afundam-se
marcando a passagem da minha vida,
Do amanhecer ao anoitecer
De Janeiro a Dezembro
Do principio ao fim.

Passei a minha vida a aprender
de livros escritos por sábios ou loucos,
e quando quero mostrar que sei ensinar,
enredo-me na maldição geral
que é necessário perder para poder vencer.

Quero esquecer,
por um dia
por um ano.
Quero viver,
por mais um dia
por mais um ano.

Quero ser o louco que ensina,
a besta que destrói o mundo
ou o herói que salva a donzela.
Quero ser o sorriso nos lábios,
as lágrimas dos outros
ou o simples sonho de ser.

Quero esquecer,
por uma hora
por uma semana.
Quero viver,
por mais uma hora
por mais uma semana.

Quero quebrar as correntes do mundo,
deixar que as rugas escorram com a água,
partir o espelho que me mostra
que existo.

Quero ser...
Mas tenho que me despachar esta manhã para ser mais uma formiga no carreiro.

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