quinta-feira, dezembro 04, 2008

Escuta-me

Escuta-me... Hoje preciso que me escutes...

Juntos rimos (mais do que chorámos), e bebemos da vida a cada instante! Juntos partilhámos os sonhos e as tristezas, em momentos puros de felicidade... Hoje peço que me escutes meu amigo!
Não me interpretes mal, afinal sempre falámos e sempre foste ombro presente quando mais precisei, sempre o soubeste fazer, e por isso te agradeço... profundamente. Mas hoje peço que me escutes verdadeiramente, agora que os dias terminam mal tendo começado (e não será que terminam todos os dias?).
Sabes que eu represento aquilo que sou para ti... mas não saberás por ventura que não sendo nada e sendo tudo, caminho entre ambas as coisas com o medo da vida porque esse é o sinónimo do receio da morte. E sei que corajoso também não serás, porque ter a coragem de viver o dia a dia não é ter a coragem de o fazer sem uma mancha que te prenda constantemente... Nunca seremos livres, nem tu, nem eu! Até ao dia da liberdade (Será?).
Lembras-te da primeira palavra, do primeiro gesto? A nossa amizade cresceu de um nada, mas tu próprio nem eu conseguiremos algum dia descrever o nada, tal como nunca conseguiremos descrever a eternidade (ou conseguiremos?).
Eu ao contrário de ti acredito na Criação (não acreditarás tu também?). Não numa metáfora, mas em todo um processo cuja génese está para além da explicação científica, mas que toda a explicação científica complementa e dá sentido (saberei eu realmente o que é uma génese se não sei sequer o que é o nada).
Um dia caminharemos juntos no Paraíso, sem saber o fim do caminho... Se calhar nem saberemos o que é o fim (será que a eternidade tem um fim?). Porque até a morte tem um fim ( a não ser que a própria morte acredite na eternidade).
A minha ignorância incomoda-te? Ou incomodará quem porventura escutar estas palavras a ecoar ao vento...? A minha ignorância soa a blasfémia, e cada palavra proferida pela minha boca soa a medo, a tristeza e sobretudo a arrependimento...
Mas se cada palavra é uma despedida, também cada dia o é e amanhã nenhuma destas palavras será lembrada por ti. Irás esquecer, e talvez mesmo a eternidade não as vá lembrar se de facto ela existir. E ainda bem que assim é porque amanhã poderemos sorrir! Amanhã quando partirmos numa viagem. Porque cada minuto é uma viagem

10 comentários:

Steïn disse...

Gostei muito do texto. Penso que está óptimo e que o autor tem cada vez mais subido de qualidade - torna-se dificil apanhar-te assim.

Na minha opinião penso que falta uma virgula ou outra para controlar a rapidez do texto - para mim é um texto que merece ser mais pausado - mas de qualquer das formas é muito bom.

Carlos Jantarada disse...

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Olha-me este armado em EDITE ESTRELA! "Na minha opinião penso que falta uma virgula ou outra para controlar a rapidez do texto"... Mas isto é um blog de gramática ou criação?... :D eheheheheh

Não... estou a brincar, mas até esse brincar tem uma ponta de verdade. PRFIRO 1 TXT ESCRITO Q TEJA TCLADO C ESTE ASPECTO SEM PONTUACAO E C CONTEUDO do que algo muito bem embrulhadinho mas que traga um par de peúgas lá dentro. eheheheheheheheeh... Podem ripostar: "não será melhor comportae as duas virtudes?"... claro que é. Mas muito sinceramente estou-me a borrifar para o que é melhor. Prefiro apreciar o que é mais belo.
E aqui há beleza :).

Steïn disse...

Carlos,

eu falei das virgulas para controlar a rapidez do texto porque para mim é um texto que merece ser mais pausado e fiz questão de referir o "para mim" no meu comentário - não é uma questão de gramática.
E por muito que te borrifes para o que é melhor a verdade é que todos os autores tentam alcançar a excelência (que é diferente da perfeição)e como tal, fiz o comentário que fiz para dar a minha opinião ao autor.
Penso que se o texto tiver bom conteudo que a gramática correcta só o vem engrandecer.

Chas. disse...

muito bom mais uma vez

alphatocopherol disse...

Penso, como autor do texto, que devo dizer umas breves palavras perante o diálogo que existiu entre os meus amigo Stein e Carlos que tanto estimo! Em primeiro lugar obrigado a ambos (e ao Leo) pelas palavras. Após uma posterior leitura do texto dou razão ao Stein quanto à questão das vírgulas!
Contudo tenho por hábito não alterar textos após a publicação, excepto quando erros que considere mais graves assim o obriguem! Peço desculpa aos leitores por tal, mas trata-se de uma forma de sentir ao reler o texto, que foi de facto aquilo que eu queria transmitir e que me estava a sair mesmo com alguns "rebolões" linguísticos ou de pontuação! É claro que a crítica é justa e positiva no sentido de, no futuro, mesmo compelido pela catadupa de pensamentos, conseguir um texto o mais correcto possível em todos os aspectos pelo que agradeço que coloquem sempre os vossos reparos! :)

Por fim dizer que quando reli o texto (e apenas nessa altura), fiquei com a sensação de estar um pouco "APC style". Longe está porém de ser um plágio... simplesmente foi isto que me saiu e se essa influência se nota será porventura pela admiração que tenho pelo mesmo enquanto autor (e como amigo, claro). É engraçado quando autores deste "estaminé" conseguem exercer esta influência na escrita sem dar-mos conta disso... Embora os estilos sejam diferentes! O APC cria verdadeiros cenários, reais e imaginários que nos transportam magicamente... aqui apenas faço uma dissertação em modo desabafo...

Eh pah este comentário já vai longo!

Portanto: é TODO, cá vai!

Carlos Jantarada disse...

Claro que o objectivo é a excelência... mas salvo estar aqui algum profissional, lembrem-se que somos todos DELITANTES. Com isso não quero tirar razão aos que fazem essa revisão... mto pelo contrário: só é de louvar.
Mas lá está... como o Vitor prefiro o que me sai no momento. Se tiver gralhas de narrativa (a não ser que sejam absurdamente notórias) que as tenha. Se não as tiver tanto melhor.
Lá está... isto não é uma critica ao Stein (so aproveitei para mandar a boca da edite estrela pq tenho a mania que sou palhaço :P)... é somente o meu ponto de vista em relação ao "COMO escrevo" aqui. Pelos vistos o Vitor tem a mesma prespectiva... Não obstante é ÓBVIO que, tal como tu dizes, este texto (como qualquer outro) resulta sempre melhor com uma pontuação perfeita (por vezes até com a ausência dela!). Penso ser uma máxima indiscutível no que toca ao aprefeiçoamento.
Mas, no que toca a minha pessoa... não busco na escrita a prefeição. Não é o meu canal de eleição e tenho que o partilhar com muitos outros... (em alguns dos quais não sou delitante).
Não sou obcecado pela prefeição... dar sempre o máximo... gestão de prioridades e esforço é algo que se aprende. Deve ser da idade LOL.

João disse...

Impressionante, simplesmente impressionante! Comovente, sentido, tocante... o que dizer mais? Muito bonito e melancólico.

Quanto aos restantes comentários, só me veio à cabeça aquele squetch dos GF:
"Não, você é o melhor escritor do blogue, vou-lhe fazer um felacio!!" "Não, não, você é o que domina melhor a gramática portuguesa, eu é que lhe vou fazer um felacio!!" etc etc

Chas. disse...

E depois do felacio:
"Porreiro pá...gostei muito de saborear a sua gramática e de pausear sua vírgula... A sua ortografia é igualmente divinal e estimulante!"

venha um texto penalizado, já!!

Norsk Tørskfisk disse...

E o diálogo final entra directamente para post na PENAL...

Muito bom de facto o texto do autor, a levantar o nível e a exigir horas extraordinárias para o aparecimento de produções de nível semelhante.

Quanto à pontuação... Já vi Prémios Nobel ser atribuídos a quem também não faz um uso ortodoxo da mesma portanto...

APC disse...

Por qualquer razão estúpida o meu comentário não veio cá parar... E eu, que até tinha escrito um testamento enorme sobre a pontuação num estranho momento de atrofio... Obviamente já não lembro nem da metade, mas a essência era qualquer coisa assim:

Em primeiro lugar gostaria de saliêntar que eu não denoto a falta de qualquer pontuação, aliás até gosto do texto assim que permite uma certa liberdade métrica muito longe da anarquia que poderia torná-lo incompreensível...

Em segundo lugar, eu não noto uma influência minha directamente no teu texto, apesar de achar um enorme elogio a comparação - principalmente quando feita pelo autor do texto!

Acho, sim, que sais-te da tua "área" normal e mergulhaste numa prosa mais livre, que de facto pode de alguma forma ser comparada com o tipo de prosa que eu tenho por costume escrever...
Mas se bem me lembro d'A Revista P.E.N.A. em papel, já lá apareceram textos teus mais ou menos neste estilo de poesia em prosa... E na ediação em papel eu só me lembro de um texto meu que possa ser incluido nesta forma de escrever... Já em relação ao eu construir essas cenas todas... Obrigado! :)

Em conclusão, em minha opinião o texto está muito bom! Não podendo ser inferiorisado pela questão da pontuação e muito menos por uma alegada conotação ao "APC-style"!

Só acrescento mais uma coisa:
sinto-me horado que utilizem a expressão "APC-style"... Como uma vez ouvi dizer em relação a Eça de Queiroz: "A grandeza de um escritor pode medir-se pelo adjectivos criados pela sua obra!"

APC