Concha
Sorriso que esconde a inveja
Gargalhada venenosa e fingida
Ser rastejante, insecto pequeno e viscoso
Sob uma concha se camufla
Aos olhos do mundo...
Pela frente solícito, bondoso
Por trás uma só faca não chega
Para a intriga e a traição consumar...
Seguro de si com a sua tenaz
Todos pensa reter e usar...
Felicidade de outros, não a sua
Impele-o a agir, a denegrir, a manipular
A tecer as suas teias envolventes
Brilhantes e frias como diamantes
E tão afiadas como um...
O dia virá em que a concha se partirá
E a verdadeira natureza desse ser se revelará
Patético, invejoso, falso, e só...
E como a um insecto será muito fácil
Ignorar, ou talvez mesmo, esmagar...
quarta-feira, abril 07, 2004
domingo, abril 04, 2004
Regresso da Jovem Primavera
Regresso,
O sol quente abraça os espíritos,
Na sua rima matinal.
Onde vozes coloridas esvoaçam,
Onde a água mágica refresca
A primavera que regressa de novo.
Jovem,
Esta natureza revoltada,
Onde a beleza e a frescura.
Libertam sopros de magia.
Com cores diferentes,
Com odores infindáveis.
Tu,
Que te sentes diferente,
Com menos roupa pesada,
Com mais vontade de viver,
Com a beleza de um ser,
Sem motivos para esquecer.
E amanhã,
Ao acordar vamos querer voar
Nas asas do mundo pousar,
E ao regressar um sorriso
De quem do mundo tudo espera
Um momento, um amor a despertar.
O sol quente abraça os espíritos,
Na sua rima matinal.
Onde vozes coloridas esvoaçam,
Onde a água mágica refresca
A primavera que regressa de novo.
Jovem,
Esta natureza revoltada,
Onde a beleza e a frescura.
Libertam sopros de magia.
Com cores diferentes,
Com odores infindáveis.
Tu,
Que te sentes diferente,
Com menos roupa pesada,
Com mais vontade de viver,
Com a beleza de um ser,
Sem motivos para esquecer.
E amanhã,
Ao acordar vamos querer voar
Nas asas do mundo pousar,
E ao regressar um sorriso
De quem do mundo tudo espera
Um momento, um amor a despertar.
sexta-feira, março 26, 2004
Ao sabor do vento...
É duro, não é?
Olhas à tua volta e não vês mais do que o mar,
Eterno e intemporal,
Com o seu ondular constante,
O seu lamento tumultuoso,
E tu
Sozinho no meio, flutuando como uma pena
Ao sabor do vento,
Percorrendo montanhas e vales,
Desertos e cidades,
Sem resistir à direcção imposta, flutuando
Docemente, calmamente...
Custa-te, mas tem de ser!
Não podes, não consegues lutar!
Resistência é um mero pensamento
Que te assombra ocasionalmente...
Duro é ver-te!
Olhar-te como se olha a dança das folhas no Outono.
Como se do alto te esticassem a mão e tu fugisses,
Actuando como a borboleta, que foge à rede
Do inocente coleccionador.
Que te oferece a inacção?
Que prazer tiras do não fazer?
Será pois tua acção o bolinar,
Ou será teu pecado, somente, não lutar?
Olhas à tua volta e não vês mais do que o mar,
Eterno e intemporal,
Com o seu ondular constante,
O seu lamento tumultuoso,
E tu
Sozinho no meio, flutuando como uma pena
Ao sabor do vento,
Percorrendo montanhas e vales,
Desertos e cidades,
Sem resistir à direcção imposta, flutuando
Docemente, calmamente...
Custa-te, mas tem de ser!
Não podes, não consegues lutar!
Resistência é um mero pensamento
Que te assombra ocasionalmente...
Duro é ver-te!
Olhar-te como se olha a dança das folhas no Outono.
Como se do alto te esticassem a mão e tu fugisses,
Actuando como a borboleta, que foge à rede
Do inocente coleccionador.
Que te oferece a inacção?
Que prazer tiras do não fazer?
Será pois tua acção o bolinar,
Ou será teu pecado, somente, não lutar?
segunda-feira, março 22, 2004
O ser humano numa fracção de segundo
Último suspiro de agonia, limiar do medo e da dor.
...
Ainda existo, anda tudo rápido, tão rápido...zumbido insuportável submerso no vácuo ...mais rápido, mais rápido!!. Sinto a cabeça a estalar, grito de dor mas não me consigo ouvir, sobressalto de terror sem saber o que está para vir.
Num instante tudo muda, zumbido silencia, dor cessa, medo já não tem razão de ser.
Vejo uma luz branca que se dirige para mim, oiço vozes que há muito não ouvia, falam todas ao mesmo tempo, não as consigo entender.
À medida que me aproximo da luz vou desvendando de quem e para quem são aquelas vozes. É o meu avô que me fala:
- ” Não tenhas medo, já não falta muito para nos voltarmos a encontrar”
Oiço também a voz dos meus pais, amigos, irmãos...falam-me todos num tom suave, dizem-me que já estou quase a chegar...já não me sinto sozinho, quero cantar, quero dançar, quero-vos abraçar.
Deixei de ouvir as vozes, acabei de entrar na luz. Ecoa o som de um coração batendo lentamente. Começo a ouvir uma voz a cantarolar, soando baixinho, abafada pelo palpitar do coração. Lentamente o compasso cardíaco vai dando lugar à cantilena, é uma triste canção e sou eu que a estou a cantar...consigo ver a minha sala de estar, consigo ver-me a mim próprio, vejo-me no espelho, são lágrimas que inundam as rugas da minha face quais rios alimentados pela torrente de recordações que preenchem os meus últimos dias. Foi esta manhã que isto aconteceu lembro-me perfeitamente, mas como?!!?? De repente tudo se esfuma...
Encontro-me agora noutro lugar, vejo uma bela manhã sobre a janela de um hospital, consigo ouvir os pássaros cantarolar acompanhados pelo compasso de passos atrás de mim, sinto um ligeiro toque no ombro é um homem de bata branca, supostamente um médico “o seu neto já nasceu, é um menino, venha vê-lo siga por este corredor, ao fundo à esquerda”. Rapidamente por corredores, vejo macas, enfermeiros, oiço gritos de agonia, risos de alegria. Chego a uma sala, vejo a minha filha numa cara lívida indicando-me com os olhos o bebé que leva em braços, já mexe os bracinhos vai ser um reguila!!! O cenário incendeia-se, o pano de fundo cai...
Vejo a minha mulher caída em meus braços, olhar ofegante, gemido cortante. Olhando-a fixamente tentando perceber aquilo que quer dizer vejo seu gesto petrificar, sinto seu corpo gelar. Meu coração late desenfreado contigo a meu lado, sei que já não te posso ter, sem ti não sei viver!!! Vejo regatos a brotar do chão ao mesmo ritmo que um relvado se forma sobre os meus pés, diante dos meus olhos...
Continua...
...
Ainda existo, anda tudo rápido, tão rápido...zumbido insuportável submerso no vácuo ...mais rápido, mais rápido!!. Sinto a cabeça a estalar, grito de dor mas não me consigo ouvir, sobressalto de terror sem saber o que está para vir.
Num instante tudo muda, zumbido silencia, dor cessa, medo já não tem razão de ser.
Vejo uma luz branca que se dirige para mim, oiço vozes que há muito não ouvia, falam todas ao mesmo tempo, não as consigo entender.
À medida que me aproximo da luz vou desvendando de quem e para quem são aquelas vozes. É o meu avô que me fala:
- ” Não tenhas medo, já não falta muito para nos voltarmos a encontrar”
Oiço também a voz dos meus pais, amigos, irmãos...falam-me todos num tom suave, dizem-me que já estou quase a chegar...já não me sinto sozinho, quero cantar, quero dançar, quero-vos abraçar.
Deixei de ouvir as vozes, acabei de entrar na luz. Ecoa o som de um coração batendo lentamente. Começo a ouvir uma voz a cantarolar, soando baixinho, abafada pelo palpitar do coração. Lentamente o compasso cardíaco vai dando lugar à cantilena, é uma triste canção e sou eu que a estou a cantar...consigo ver a minha sala de estar, consigo ver-me a mim próprio, vejo-me no espelho, são lágrimas que inundam as rugas da minha face quais rios alimentados pela torrente de recordações que preenchem os meus últimos dias. Foi esta manhã que isto aconteceu lembro-me perfeitamente, mas como?!!?? De repente tudo se esfuma...
Encontro-me agora noutro lugar, vejo uma bela manhã sobre a janela de um hospital, consigo ouvir os pássaros cantarolar acompanhados pelo compasso de passos atrás de mim, sinto um ligeiro toque no ombro é um homem de bata branca, supostamente um médico “o seu neto já nasceu, é um menino, venha vê-lo siga por este corredor, ao fundo à esquerda”. Rapidamente por corredores, vejo macas, enfermeiros, oiço gritos de agonia, risos de alegria. Chego a uma sala, vejo a minha filha numa cara lívida indicando-me com os olhos o bebé que leva em braços, já mexe os bracinhos vai ser um reguila!!! O cenário incendeia-se, o pano de fundo cai...
Vejo a minha mulher caída em meus braços, olhar ofegante, gemido cortante. Olhando-a fixamente tentando perceber aquilo que quer dizer vejo seu gesto petrificar, sinto seu corpo gelar. Meu coração late desenfreado contigo a meu lado, sei que já não te posso ter, sem ti não sei viver!!! Vejo regatos a brotar do chão ao mesmo ritmo que um relvado se forma sobre os meus pés, diante dos meus olhos...
Continua...
terça-feira, março 16, 2004
Hecatombe - Parte IV - O Prepúcio do Fim
À entrada do Magnum Auditorium perfilava-se uma silhueta misteriosa, se bem que pouco imponente.
"Olhem, é ele!"
"Ali! Ali!"
"Oh, não!"
"Oh, sim!"
"Não!"
"Sim!"
"Oh!"
"Ah!"
Etc...
Cherneboff fumegava, um jorro negro brotava do buraco na sua gargantinha... Estava-se mesmo a ver que ia precisar de Tantum...
Entretanto, os alunos iam ressuscitando, lentamente; as almas inquietas no anseio de assistir ao combate do século (do Milénio!)...
" - A vossa atenção, séénhores e sééénhoraaas!"
"No canto laranja, meio azamboado mas ainda capaz de matar... Sua baixeza não tem igual... O seu hálito é FATAL!..."
"CHÉÉÉÉRRNEEBÓÓÓÓFF!!!"
A plateia Zombie apupava e de vez em quando saltava um pulmão, tal era o estado de podridão cadavérica...
A mesa dos corruptos aplaudia e tinha orgasmos de bajulação.
"No canto azul, do alto do seu metro e sessenta cinco de altura, com 395 quilos de potência cavalar, nada a perder e tudo a ganhar..."
Todo o Auditorium emudecera para ouvir o nome do misterioso desafiante...
"...BARÃO ENGUIA!"
O Barão Enguia! Assim era chamado aquele lendário ex-professor do Departamentóide, famoso pela sua indumentária metal (t-shirts MAIDEN) e cabelo oleoso, que abandonara a docência em litígio com o Directorado. Parece que não andavam muito satisfeitos com a natureza dos seus trabalhos de investigação, a altas horas de madrugada no gabinete...
De qualquer das maneiras, Barão Enguia estava de volta.
E fa-los-ia pagar caro a ignomínia de corromper a Instituição que, no fundo, ainda amava...
(talvez continue... não sei... bah...)
"Olhem, é ele!"
"Ali! Ali!"
"Oh, não!"
"Oh, sim!"
"Não!"
"Sim!"
"Oh!"
"Ah!"
Etc...
Cherneboff fumegava, um jorro negro brotava do buraco na sua gargantinha... Estava-se mesmo a ver que ia precisar de Tantum...
Entretanto, os alunos iam ressuscitando, lentamente; as almas inquietas no anseio de assistir ao combate do século (do Milénio!)...
" - A vossa atenção, séénhores e sééénhoraaas!"
"No canto laranja, meio azamboado mas ainda capaz de matar... Sua baixeza não tem igual... O seu hálito é FATAL!..."
"CHÉÉÉÉRRNEEBÓÓÓÓFF!!!"
A plateia Zombie apupava e de vez em quando saltava um pulmão, tal era o estado de podridão cadavérica...
A mesa dos corruptos aplaudia e tinha orgasmos de bajulação.
"No canto azul, do alto do seu metro e sessenta cinco de altura, com 395 quilos de potência cavalar, nada a perder e tudo a ganhar..."
Todo o Auditorium emudecera para ouvir o nome do misterioso desafiante...
"...BARÃO ENGUIA!"
O Barão Enguia! Assim era chamado aquele lendário ex-professor do Departamentóide, famoso pela sua indumentária metal (t-shirts MAIDEN) e cabelo oleoso, que abandonara a docência em litígio com o Directorado. Parece que não andavam muito satisfeitos com a natureza dos seus trabalhos de investigação, a altas horas de madrugada no gabinete...
De qualquer das maneiras, Barão Enguia estava de volta.
E fa-los-ia pagar caro a ignomínia de corromper a Instituição que, no fundo, ainda amava...
(talvez continue... não sei... bah...)
domingo, março 07, 2004
Poderia
Poderia ficar aqui por eternidades, olhando a Lua e vendo suas companheiras aparecer para iluminar os sonhos e os corações.
Poderia ficar por aqui por momentos, vendo as luzes da cidade a aparecerem, tentando ofuscar minhas palavras e meus pensamentos.
Poderia fechar os olhos e deixar-me submergir pelas lágrimas de uma paisagem tão calma.
Poderia fazer um gesto e varrer tudo da minha visão, esmagar a Lua com a minha mão.
Poderia sentir-me amadurecer, aprender com as fases da Lua que tudo acaba um dia e tudo volta a aparecer.
Poderia ser mais e talvez juntar-me a todos os outros que miram o céu.
Poderia ser tanto mas nada me interessa, viro as costas a tão pouca beleza e em Ti repouso de certeza.
quinta-feira, março 04, 2004
Sonha longe
Estava a ouvir uma música e ao som dela apeteceu-me expressar um pensamento:
Sonha longe, sonha acreditando,
Ouvindo os corvos no céu
Escutando suas palavras,
Nas asas negras, uma lição.
Sonha longe, sonha vivendo,
Canta olhando o chão
Entoando seus sons,
Nos teus pés brancos, a razão.
Sonha longe, sonha esperando
Reproduz-te no horizonte
Simulando linhas brandas,
Na esperança tardia, a paixão.
Sonha longe, sonha acreditando,
Ouvindo os corvos no céu
Escutando suas palavras,
Nas asas negras, uma lição.
Sonha longe, sonha vivendo,
Canta olhando o chão
Entoando seus sons,
Nos teus pés brancos, a razão.
Sonha longe, sonha esperando
Reproduz-te no horizonte
Simulando linhas brandas,
Na esperança tardia, a paixão.
Algumas fotos antigas, outra não
Passagem de ano 2001-2002:
Degredo
Pessoal
Pessoal2
Cantina no 1º Ano 1999-2000:
Massarico
2004, algumas cenas duvidosas de pessoas famosas:
Algo Estranho
Cantina no 1º Ano 1999-2000:
2004, algumas cenas duvidosas de pessoas famosas:
terça-feira, março 02, 2004
Apenas sentindo (3ª parte)
Toda aquela luz verde intensa se acomodou aos meus olhos, transformando-se numa floresta verde e odorífera onde se destacavam pinheiros, sobreiros e toda uma vegetação inferior variada. Os pássaros cantavam e as urtigas picavam, as abelhas zumbiam e meus olhos seguiam. O calor aumentava e o meu corpo aquecia.
A luz filtrada pelas folhas tornava aquele sítio um local excepcional, a natureza reflectia a sua maior beleza! Olhei o céu azul no zénite… E caí de tontura…
Continuei perdido no desmaio. Estava numa floresta linda e tinha acabado de sair de uma gruta…Até que de súbito alguém me volta a chamar! Eram as árvores!? Não, mexia-se… não libertava odor, era igual ao meu… fechei os olhos e imaginei que estava a olhar-me, e nisto uma mão segurou a minha, aproximou-se, tocou seus lábios nos meus e sussurrou: “Encontraste-me!”.
FIM
A luz filtrada pelas folhas tornava aquele sítio um local excepcional, a natureza reflectia a sua maior beleza! Olhei o céu azul no zénite… E caí de tontura…
Continuei perdido no desmaio. Estava numa floresta linda e tinha acabado de sair de uma gruta…Até que de súbito alguém me volta a chamar! Eram as árvores!? Não, mexia-se… não libertava odor, era igual ao meu… fechei os olhos e imaginei que estava a olhar-me, e nisto uma mão segurou a minha, aproximou-se, tocou seus lábios nos meus e sussurrou: “Encontraste-me!”.
FIM
terça-feira, fevereiro 17, 2004
Caminhar,
Acto incessante de procura constante
Por algo de novo e belo
Que apague do sentimento
Essa dor, esse sufoco
Que de provocar tão grande sofrimento
Me impede de no caminho progredir.
Olhar,
Em meu redor as barreiras,
Ver as fronteiras dos caminhos,
sebes, rochas, arames com espinhos,
ver à tua frente outros mais velozes.
Sentir,
O ar quente e morno a dar-te no rosto,
O pó que se levanta e se mistura com o suor.
Querer caminhar para lá do horizonte,
Poder levantar fragas, vencer barreiras,
Chegar e dizer: é o fim!
16/Jun/2003
Acto incessante de procura constante
Por algo de novo e belo
Que apague do sentimento
Essa dor, esse sufoco
Que de provocar tão grande sofrimento
Me impede de no caminho progredir.
Olhar,
Em meu redor as barreiras,
Ver as fronteiras dos caminhos,
sebes, rochas, arames com espinhos,
ver à tua frente outros mais velozes.
Sentir,
O ar quente e morno a dar-te no rosto,
O pó que se levanta e se mistura com o suor.
Querer caminhar para lá do horizonte,
Poder levantar fragas, vencer barreiras,
Chegar e dizer: é o fim!
16/Jun/2003
quarta-feira, fevereiro 11, 2004
Quem és tu?
Leio-to nos olhos receosos...
Ao que vens?
Murmuram teus lábios mudos...
Não te aproximes!
Oscila o teu corpo frio...
Tu conheces-me!
Diz-te o meu olhar reconfortante...
Sabes o que quero!
Confessam-te os meus lábios vibrantes...
Não posso evitá-lo!
Envolve-te o meu corpo quente...
Aceita, dá-me todo o teu amor...
Doce e enebriante mel...
Leio-to nos olhos receosos...
Ao que vens?
Murmuram teus lábios mudos...
Não te aproximes!
Oscila o teu corpo frio...
Tu conheces-me!
Diz-te o meu olhar reconfortante...
Sabes o que quero!
Confessam-te os meus lábios vibrantes...
Não posso evitá-lo!
Envolve-te o meu corpo quente...
Aceita, dá-me todo o teu amor...
Doce e enebriante mel...
sexta-feira, fevereiro 06, 2004
Apenas Sentindo... (2ª parte)
Sentei-me numa pedra por instantes a reflectir, a pensar mais pausadamente… apercebi-me que estava vestido com uns calções e uma camisa. Nos bolsos encontrei algo mas não me apercebi logo o que era… pela forma era uma fisga?! Não!? Para que precisaria eu de uma fisga ali? Podia ser que dê-se jeito mais tarde… Continuei a procurar, havia mais alguma coisa nos bolsos, um papel amachucado, daqueles plastificados… e uma pedra!
A minha arma de defesa estava completa… porque pensaria eu em arma de defesa?!
Ouvi uma voz ao longe, era o meu nome… Seria coincidência? Dirigi-me lentamente na direcção do chamamento. A voz era meiga e doce, tinha um tom assexuado, seria uma criança? Que mundo seria aquele, onde havia crianças na escuridão?
Passo a passo, entre pedras lisas e gélidas apercebo-me que os meus sons faziam eco várias vezes, seriam rochas à minha volta? Abri os braços a pouco e pouco até que sinto um dedo a tocar numa pedra, igualmente gélida, mas esta rugosa e mais robusta. Continuo a caminhar encostado à mesma.
A voz continuava a ouvir-se mas cada vez mais suave, notando-se um som de fundo, pingos de água a cair, estes entoavam como de um poço se tratasse… Há já algum tempo que tinha reparado que estava dentro de um gruta, e que andava aos círculos. Tinha começado a sentir alguma luz, mas como as pedras eram negras não tinha acreditado que era mesmo real. Já sentia a forma dos meus pés e das minhas mãos… de súbito, no fim da curva, tudo se transforma numa luz verde que invade o meu corpo. Não conseguia ver mais nada à minha volta, apenas tons verdes a reluzir…
(continua...)
A minha arma de defesa estava completa… porque pensaria eu em arma de defesa?!
Ouvi uma voz ao longe, era o meu nome… Seria coincidência? Dirigi-me lentamente na direcção do chamamento. A voz era meiga e doce, tinha um tom assexuado, seria uma criança? Que mundo seria aquele, onde havia crianças na escuridão?
Passo a passo, entre pedras lisas e gélidas apercebo-me que os meus sons faziam eco várias vezes, seriam rochas à minha volta? Abri os braços a pouco e pouco até que sinto um dedo a tocar numa pedra, igualmente gélida, mas esta rugosa e mais robusta. Continuo a caminhar encostado à mesma.
A voz continuava a ouvir-se mas cada vez mais suave, notando-se um som de fundo, pingos de água a cair, estes entoavam como de um poço se tratasse… Há já algum tempo que tinha reparado que estava dentro de um gruta, e que andava aos círculos. Tinha começado a sentir alguma luz, mas como as pedras eram negras não tinha acreditado que era mesmo real. Já sentia a forma dos meus pés e das minhas mãos… de súbito, no fim da curva, tudo se transforma numa luz verde que invade o meu corpo. Não conseguia ver mais nada à minha volta, apenas tons verdes a reluzir…
(continua...)
segunda-feira, fevereiro 02, 2004
Hecatombe - Parte III
Uma nova vaga de assalto estremeceu a Resistência até aos alicerces, e muitos foram os que cairam na face do novo Terror.
Os Informáticos foram subjugados por bonecas insufláveis e Internet de banda larga.
Os Físicos sucumbiram com o corte da luz e com o facto de já ninguém lhes ligar nenhuma.
Os papagaios dos Engenheiros cairam devido ao fio eléctrico ser demasiado pesado para o papel de que eram feitos.
Os Químicos, que, ao ficarem sem reagentes, não sabiam fazer mais nada, renderam-se em troca dum punhado de regularizadores de ebulição e batas lavadas.
No fim, os sobreviventes foram conduzidos ao Magnum Auditorium, onde foram expostos à cruel tortura de assistir ao discurso do novo Chefe do Directorado:
" - Bem-vindos ao novo amanhecer! Como futuros contribuintes têm o direito de assistir ao dealbar de uma nova era..."
" - Uma era de progresso, de desenvolvimento, de auto-estradas, de tachos... à vossa custa!!"
Nesse instante, uma miríade de tentáculos enferrujados desceu do tecto e, com precisão metálica, se cravaram cada um nos crânios dos infelizes prisioneiros.
Os gritos de terror e agonia misturavam-se com os repugnantes ruídos de sucção, enquanto toneladas de massa encefálica eram sugadas num compasso sincopado com as gargalhadas do novo Direktor.
Foi então que este deixou cair a máscara, e se viu, entre sangue e gemidos, a hedionda carantonha de peixe do próprio Chernebof.
Este vinha secundado pela Cruel Dama Láctea, a infame Quebra-Ossos!
"- A vossa tenra mioleira servirá de substrato para a criação dos meus novos servos..." - vaticinava, expectorante, um pustulento Cherneboff.
"- Julgava que fossem suficientemente deseducados e incultos para discutirem as minhas políticas... Julgava que os Centros Comerciais lhes iriam aplacar a veia contestatária... Qual quê! Só estão bem quando se estão a queixar... Queixem-se agora, penduricalhos!" - declamava o ditador. Mas naquela pilha de cadáveres exangues já ninguém o ouvia.
Perante uma vitória tão completa, Chernoboff não pode evitar uma gargalhada de triunfo:
"BUAHAHAHAHAHAHAHAHAARRGHUKLUKLUKLUKLUK!!!!"
O seu riso cavernoso dera lugar a um gorgolejo incongruente quando um micro-míssil TAKTIKOV(tm) o atingiu na garganta.
(continua...)
Os Informáticos foram subjugados por bonecas insufláveis e Internet de banda larga.
Os Físicos sucumbiram com o corte da luz e com o facto de já ninguém lhes ligar nenhuma.
Os papagaios dos Engenheiros cairam devido ao fio eléctrico ser demasiado pesado para o papel de que eram feitos.
Os Químicos, que, ao ficarem sem reagentes, não sabiam fazer mais nada, renderam-se em troca dum punhado de regularizadores de ebulição e batas lavadas.
No fim, os sobreviventes foram conduzidos ao Magnum Auditorium, onde foram expostos à cruel tortura de assistir ao discurso do novo Chefe do Directorado:
" - Bem-vindos ao novo amanhecer! Como futuros contribuintes têm o direito de assistir ao dealbar de uma nova era..."
" - Uma era de progresso, de desenvolvimento, de auto-estradas, de tachos... à vossa custa!!"
Nesse instante, uma miríade de tentáculos enferrujados desceu do tecto e, com precisão metálica, se cravaram cada um nos crânios dos infelizes prisioneiros.
Os gritos de terror e agonia misturavam-se com os repugnantes ruídos de sucção, enquanto toneladas de massa encefálica eram sugadas num compasso sincopado com as gargalhadas do novo Direktor.
Foi então que este deixou cair a máscara, e se viu, entre sangue e gemidos, a hedionda carantonha de peixe do próprio Chernebof.
Este vinha secundado pela Cruel Dama Láctea, a infame Quebra-Ossos!
"- A vossa tenra mioleira servirá de substrato para a criação dos meus novos servos..." - vaticinava, expectorante, um pustulento Cherneboff.
"- Julgava que fossem suficientemente deseducados e incultos para discutirem as minhas políticas... Julgava que os Centros Comerciais lhes iriam aplacar a veia contestatária... Qual quê! Só estão bem quando se estão a queixar... Queixem-se agora, penduricalhos!" - declamava o ditador. Mas naquela pilha de cadáveres exangues já ninguém o ouvia.
Perante uma vitória tão completa, Chernoboff não pode evitar uma gargalhada de triunfo:
"BUAHAHAHAHAHAHAHAHAARRGHUKLUKLUKLUKLUK!!!!"
O seu riso cavernoso dera lugar a um gorgolejo incongruente quando um micro-míssil TAKTIKOV(tm) o atingiu na garganta.
(continua...)
domingo, janeiro 25, 2004
Hecatombe - Parte II
A situação deteriorava-se. Apesar da resistência inicial no 7º Templo da Ilógica, os alunos capitularam, exaustos de ouvir as ladainhas mortalmente entediantes dos professores do Departamento. Estes não foram importunados, visto que as tropas invasoras selaram prontamente os seus gabinetes em sarcófagos de betão, para conter a ameaça.
Os restantes Departamentos resistiam heroicamente.
Os Informáticos combateram em barricadas de hardware ultrapassado. Muitos especializaram-se no arremesso de CD's mortíferos, ao melhor estilo de Xena(tm).
Os Físicos estavam melhor preparados, pois dispunham de aparatos LASER de alta potência e equações indecifráveis, altamente incapacitantes.
Os Engenheiros dispunham de planos de estruturas e fio eléctrico, com que fizeram bonitos papagaios.
Os Químicos, esses, empregaram os seus conhecimentos na síntese de venenos, explosivos e compostos aromáticos altamente enjoativos, como o Limoneno. Muitos foram os soldados das forças invasoras que sucumbiram a um ataque de vómitos antes de chegarem sequer ao 3º piso do Edifício Departamentóide de Química.
No plano global, a invasão estava a revelar-se morosa e difícil. E Cherneboff, do alto do seu trono laranja, inquietava-se com pensamentos contraditórios. "Será que fiz mal em subestimar estes mandriões? Está na hora de passar ao Plano B!"
As novas contingências foram postas em prática. O que se seguiu foi hediondo...
(continua...)
Os restantes Departamentos resistiam heroicamente.
Os Informáticos combateram em barricadas de hardware ultrapassado. Muitos especializaram-se no arremesso de CD's mortíferos, ao melhor estilo de Xena(tm).
Os Físicos estavam melhor preparados, pois dispunham de aparatos LASER de alta potência e equações indecifráveis, altamente incapacitantes.
Os Engenheiros dispunham de planos de estruturas e fio eléctrico, com que fizeram bonitos papagaios.
Os Químicos, esses, empregaram os seus conhecimentos na síntese de venenos, explosivos e compostos aromáticos altamente enjoativos, como o Limoneno. Muitos foram os soldados das forças invasoras que sucumbiram a um ataque de vómitos antes de chegarem sequer ao 3º piso do Edifício Departamentóide de Química.
No plano global, a invasão estava a revelar-se morosa e difícil. E Cherneboff, do alto do seu trono laranja, inquietava-se com pensamentos contraditórios. "Será que fiz mal em subestimar estes mandriões? Está na hora de passar ao Plano B!"
As novas contingências foram postas em prática. O que se seguiu foi hediondo...
(continua...)
quarta-feira, janeiro 21, 2004
Apenas sentindo... (1ª parte)
Levantei uma perna para o lado de fora, ouvi uma leve ondulação no tornozelo, um vulto sombrio reflectia no chão negro…
Caminhei olhando o céu escuro que cobria todo o fundo à minha volta. Os pés molhados e frios eram as únicas imagens que pairavam nos meus sentidos. Uma nuvem encobria a Lua Nova. Não havia objectos, nem cores, só sons.
Ao longe ecos dos meus passos faziam esvoaçar aves, (estranhas aves essas que das asas pareciam levantar o céu). Comecei a sentir uma aragem quente, como se de alguém se tratasse. (Ainda bem que a ave me fez a rasante, ao menos trouxe-me um sinal). Mas qual sinal? Seria exactamente o quê? Na ondulação de regresso a água não trazia nenhum acrescimento de temperatura!..Ela regressava?! Haveria terra sólida ao pé? Ou seria apenas uma rocha, ou alguém com os membros já gelados? Não fazia sentido... Contudo segui a direcção das ondinhas, calculando o tempo de regresso, ou seja, o dobro da distância tendo em conta a velocidade que estava a tomar... Estavam a demorar cinco minutos, sendo a minha velocidade média seis quilómetros por hora, estaria algo a 250 metros! O que seria?
Continuei, mas mais cauteloso, redobrei a minha audição, o silêncio fazia eco no meu consciente. Passo a passo calco algo seco, uma rocha fria como nunca tinha pisado nenhuma, sentia uma superfície lisa como de vidro se tratasse. Continuei mais devagar para não escorregar, até que paro quando sinto uma aragem a vir na minha direcção, estendo um braço, algo estava a tocar-me. Estava gelada, a mão, algo me tinha tocado por uns instantes e desaparecera. Apenas tinha dado para perceber que esse ser não libertava cheiro nem fazia ruído a caminhar, mas o mais incrível foi não ter deixado um rasto de vento…
(...continua...)
Caminhei olhando o céu escuro que cobria todo o fundo à minha volta. Os pés molhados e frios eram as únicas imagens que pairavam nos meus sentidos. Uma nuvem encobria a Lua Nova. Não havia objectos, nem cores, só sons.
Ao longe ecos dos meus passos faziam esvoaçar aves, (estranhas aves essas que das asas pareciam levantar o céu). Comecei a sentir uma aragem quente, como se de alguém se tratasse. (Ainda bem que a ave me fez a rasante, ao menos trouxe-me um sinal). Mas qual sinal? Seria exactamente o quê? Na ondulação de regresso a água não trazia nenhum acrescimento de temperatura!..Ela regressava?! Haveria terra sólida ao pé? Ou seria apenas uma rocha, ou alguém com os membros já gelados? Não fazia sentido... Contudo segui a direcção das ondinhas, calculando o tempo de regresso, ou seja, o dobro da distância tendo em conta a velocidade que estava a tomar... Estavam a demorar cinco minutos, sendo a minha velocidade média seis quilómetros por hora, estaria algo a 250 metros! O que seria?
Continuei, mas mais cauteloso, redobrei a minha audição, o silêncio fazia eco no meu consciente. Passo a passo calco algo seco, uma rocha fria como nunca tinha pisado nenhuma, sentia uma superfície lisa como de vidro se tratasse. Continuei mais devagar para não escorregar, até que paro quando sinto uma aragem a vir na minha direcção, estendo um braço, algo estava a tocar-me. Estava gelada, a mão, algo me tinha tocado por uns instantes e desaparecera. Apenas tinha dado para perceber que esse ser não libertava cheiro nem fazia ruído a caminhar, mas o mais incrível foi não ter deixado um rasto de vento…
(...continua...)
domingo, janeiro 18, 2004
Comentários de volta
O servidor antigo desapareceu, contudo o responsável por ele fez cópias de todos os comments até à data e disponibilizou-os noutro servidor (haloscan).
Com esta mudança fica aqui o novo incentivo para continuarem a participar no blog.
Com esta mudança fica aqui o novo incentivo para continuarem a participar no blog.
domingo, janeiro 11, 2004
Hecatombe - Parte I
Era Verão e tinha acabado de estalar a Grande Guerra Académica. O seu epicentro situava-se, precisamente, no Instituto Científico-Tecnológico da Outra-Banda.
Foram muitos os que lutaram contra fogo de artilharia e terríveis torpedos mortíferos, mas ninguém se livrou de os albergar no rabinho.
No fim, as baixas ascenderam aos milhares. Contaram-se 852 euro-ogivas despoletadas no primeiro impacto.
A primeira ala a cair foi a do Directorato. O líder não resistiu à explosão de um óbus e esvaiu-se em sangue, com um estilhaço alojado na região perianal. Os resistentes suspiraram de alívio. O chefe do Directorato era um traidor e todos o sabiam. Afinal, fora ele que aceitara a repugnante proposta do regime de Cherneboff. A sua morte em combate desobrigava-os de uma vingança sangrenta.
Um grupo de milicianos associativistas ainda tentou segurar o perímetro da ala D com rolos atrás de rolos de arame higiénico, mas de nada serviu contra a couraça dos implacáveis Rhino-comandos, unidades blindadas de combate politico-estratégico. Esta tropa de elite fora enviada pelos burocratas de Cherneboff, servidores fiéis da ditadura mental que este instituira com a sua matrona, a Dama Quebra-Ossos, assim chamada pela sua semelhança com esta ave necrófila, quer em aspecto quer em rapacidade.
Parte da Resistência encontrava-se barricada no edifício do Refeitódromo, visto que o ataque surpresa fora iniciado à hora de almoço. A rapidez de reacção fora vital para conservarem as vidas, mas agora que a epidemia alastrava pelas hostes do Exército de Libertação Académica, os soldados maldiziam a sorte da escolha. Os corredores fétidos das instalações há muito que se encontravam fora de manutenção, e a péssima qualidade das rações só piorava a saúde e o moral das tropas.
No 7º Templo da Ilógica a situação não era melhor, com as suas paredes envidraçadas. O fogo de metralhadora lançou uma chuva de estilhaços dilacerantes sobre os refugiados.
A maioria saía de Análise I, e encontrava-se armada com apenas os cadernos. No entanto, os poucos que traziam a sebenta faziam dela uma arma temível. Lançadas com pontaria faziam mais vítimas que uma granada de fragmentação, tal a toxicidade do seu conteúdo. Os alunos mais corajosos corriam de encontro ao inimigo declamando trechos das suas páginas, semeando caos e insanidade nas fileiras.
(continua...)
Foram muitos os que lutaram contra fogo de artilharia e terríveis torpedos mortíferos, mas ninguém se livrou de os albergar no rabinho.
No fim, as baixas ascenderam aos milhares. Contaram-se 852 euro-ogivas despoletadas no primeiro impacto.
A primeira ala a cair foi a do Directorato. O líder não resistiu à explosão de um óbus e esvaiu-se em sangue, com um estilhaço alojado na região perianal. Os resistentes suspiraram de alívio. O chefe do Directorato era um traidor e todos o sabiam. Afinal, fora ele que aceitara a repugnante proposta do regime de Cherneboff. A sua morte em combate desobrigava-os de uma vingança sangrenta.
Um grupo de milicianos associativistas ainda tentou segurar o perímetro da ala D com rolos atrás de rolos de arame higiénico, mas de nada serviu contra a couraça dos implacáveis Rhino-comandos, unidades blindadas de combate politico-estratégico. Esta tropa de elite fora enviada pelos burocratas de Cherneboff, servidores fiéis da ditadura mental que este instituira com a sua matrona, a Dama Quebra-Ossos, assim chamada pela sua semelhança com esta ave necrófila, quer em aspecto quer em rapacidade.
Parte da Resistência encontrava-se barricada no edifício do Refeitódromo, visto que o ataque surpresa fora iniciado à hora de almoço. A rapidez de reacção fora vital para conservarem as vidas, mas agora que a epidemia alastrava pelas hostes do Exército de Libertação Académica, os soldados maldiziam a sorte da escolha. Os corredores fétidos das instalações há muito que se encontravam fora de manutenção, e a péssima qualidade das rações só piorava a saúde e o moral das tropas.
No 7º Templo da Ilógica a situação não era melhor, com as suas paredes envidraçadas. O fogo de metralhadora lançou uma chuva de estilhaços dilacerantes sobre os refugiados.
A maioria saía de Análise I, e encontrava-se armada com apenas os cadernos. No entanto, os poucos que traziam a sebenta faziam dela uma arma temível. Lançadas com pontaria faziam mais vítimas que uma granada de fragmentação, tal a toxicidade do seu conteúdo. Os alunos mais corajosos corriam de encontro ao inimigo declamando trechos das suas páginas, semeando caos e insanidade nas fileiras.
(continua...)
terça-feira, janeiro 06, 2004
Visto a mitra, protejo a cabeça,
Sem rumo certo começo a andar
A meio do caminho vejo-os vir aí,
Os anjos da morte estão-me já a ladear.
Conduzem-me por entre vales e planícies
Até que numa colina encontramos um carvalho velho,
Um cepo, mera memória da glória de outrora,
Um carvalho que alguém cortou pelo joelho!
Ladeavam-me duas grandes vieiras
Onde eu via esconderem-se ninfas de alva pele.
Só ao crepúsculo comecei a sentir
A fresca relva sob os meus pés descalços.
Eis que chegados ao cimo da colina
Olho em redor e vejo as montanhas rugosas,
de eternas fragas construídas,
As verdejantes florestas dos imortais
Pilares edificados
As eternas planícies de infidável erva
Até onde a vista alcança.
Com o Sol, esse eterno presente,
A despedir-se lá ao fundo, em tons de laranja e vermelho
E um mortiço raio amarelo por entre as nuvens.
Sinto uma corrente de ar frio percorrer-me o corpo,
Dos pés à cabeça, arrepiando-me os negros pêlos por onde passa.
Oiço uma doce melodia de liras erguer-se,
Enquanto os anjos tiram folhas do cepo, que vejo ser agora uma pedra.
Vagueio sem rumo em redor da fraga
A música cresce e faz-me sonolento.
Abrem-se as vieiras, ajoelho-me junto à fraga e abraço-a...
Não vejo de uma vieira sair um outro anjo,
De púrpura vestido e longos cabelos loiros ao vento,
Caminhar para a outra vieira e dela tirar,
Um machado negro, que começa a afiar!
A música sobe de tom, aumentando de ritmo
O sono apodera-se de mim enquanto
O último raio de sol se apaga da minha face,
Estrelas faíscam à minha frente quando de repente
Param e sinto o frio apoderar-se de mim.
Vejo a noite como se fosse dia
Vejo dois anjos de mantos negro pegarem em mim
E vejo-a, alta e alva no céu,
O meu destino, a minha eternidade.
9/Jan/2003
Sem rumo certo começo a andar
A meio do caminho vejo-os vir aí,
Os anjos da morte estão-me já a ladear.
Conduzem-me por entre vales e planícies
Até que numa colina encontramos um carvalho velho,
Um cepo, mera memória da glória de outrora,
Um carvalho que alguém cortou pelo joelho!
Ladeavam-me duas grandes vieiras
Onde eu via esconderem-se ninfas de alva pele.
Só ao crepúsculo comecei a sentir
A fresca relva sob os meus pés descalços.
Eis que chegados ao cimo da colina
Olho em redor e vejo as montanhas rugosas,
de eternas fragas construídas,
As verdejantes florestas dos imortais
Pilares edificados
As eternas planícies de infidável erva
Até onde a vista alcança.
Com o Sol, esse eterno presente,
A despedir-se lá ao fundo, em tons de laranja e vermelho
E um mortiço raio amarelo por entre as nuvens.
Sinto uma corrente de ar frio percorrer-me o corpo,
Dos pés à cabeça, arrepiando-me os negros pêlos por onde passa.
Oiço uma doce melodia de liras erguer-se,
Enquanto os anjos tiram folhas do cepo, que vejo ser agora uma pedra.
Vagueio sem rumo em redor da fraga
A música cresce e faz-me sonolento.
Abrem-se as vieiras, ajoelho-me junto à fraga e abraço-a...
Não vejo de uma vieira sair um outro anjo,
De púrpura vestido e longos cabelos loiros ao vento,
Caminhar para a outra vieira e dela tirar,
Um machado negro, que começa a afiar!
A música sobe de tom, aumentando de ritmo
O sono apodera-se de mim enquanto
O último raio de sol se apaga da minha face,
Estrelas faíscam à minha frente quando de repente
Param e sinto o frio apoderar-se de mim.
Vejo a noite como se fosse dia
Vejo dois anjos de mantos negro pegarem em mim
E vejo-a, alta e alva no céu,
O meu destino, a minha eternidade.
9/Jan/2003
Sonho Solitário
No princípio era o nada. A escuridão, a penumbra, o autêntico vácuo, esse grande buraco negro, desprovido de Deus e de matéria. Estava sozinho! Ninguém me amparava, nada me sustinha e permanecia imóvel nesse pano preto.
Depois vieram um a um e foram-se um a um, zunindo pelos ares, uivando veementemente pelo meio das copas das árvores, que ardiam com chamas azuis... E a calma reinava nesse mundo que repentinamente surgira do nada. E o nada tornou-se tudo! Tudo o que pode haver na vida, desde os pássaros que cantam até ao penedo que ribomba montanha abaixo, liberto da sua inércia pela tectónica deste cobra-de-água suspenso no meio de tantos pirilampos luminosos, na noite interminável.
Ping, ping, pinga a água das folhas verdes, vazias de vida por fora e cheias de uma vivacidade interna que nem amanhã compreenderei. Gostava de ser uma delas, para morrer novo, quando no auge da minha beleza viesse um bulldozer e me esmagasse, poupando-me assim o ser martirizado pela raça humana.
A raça humana e as suas certezas provocam-me vómitos!... Antes morrer pelas mãos de um Homem do que ser um deles. Safa!
Sempre com a mania das certezas e a vontade de brincar a Deus! Reúnem-se todos em pequenos grupos que se juntam em determinados locais e falam mal de todos os que não são como eles e, se há entre eles alguém que não gosta do que ouve e se eleva para expressar o descontentamento, esse então está morto para eles e migra para o limbo do esquecimento, onde repousam todos os que não procuram inimigos.
Olho lá para baixo e as plantas vão morrendo, provavelmente envenenadas pela Natureza Humana, que tudo sabe, tudo tem e tudo pode.
No princípio era o Nada...
Depois veio o Homem...
E no final não ficou nada nem ninguém, fui só eu que afinal abri os olhos e me vi sozinho, sem ninguém!
Só...
Sonhando!...
Depois vieram um a um e foram-se um a um, zunindo pelos ares, uivando veementemente pelo meio das copas das árvores, que ardiam com chamas azuis... E a calma reinava nesse mundo que repentinamente surgira do nada. E o nada tornou-se tudo! Tudo o que pode haver na vida, desde os pássaros que cantam até ao penedo que ribomba montanha abaixo, liberto da sua inércia pela tectónica deste cobra-de-água suspenso no meio de tantos pirilampos luminosos, na noite interminável.
Ping, ping, pinga a água das folhas verdes, vazias de vida por fora e cheias de uma vivacidade interna que nem amanhã compreenderei. Gostava de ser uma delas, para morrer novo, quando no auge da minha beleza viesse um bulldozer e me esmagasse, poupando-me assim o ser martirizado pela raça humana.
A raça humana e as suas certezas provocam-me vómitos!... Antes morrer pelas mãos de um Homem do que ser um deles. Safa!
Sempre com a mania das certezas e a vontade de brincar a Deus! Reúnem-se todos em pequenos grupos que se juntam em determinados locais e falam mal de todos os que não são como eles e, se há entre eles alguém que não gosta do que ouve e se eleva para expressar o descontentamento, esse então está morto para eles e migra para o limbo do esquecimento, onde repousam todos os que não procuram inimigos.
Olho lá para baixo e as plantas vão morrendo, provavelmente envenenadas pela Natureza Humana, que tudo sabe, tudo tem e tudo pode.
No princípio era o Nada...
Depois veio o Homem...
E no final não ficou nada nem ninguém, fui só eu que afinal abri os olhos e me vi sozinho, sem ninguém!
Só...
Sonhando!...
quinta-feira, janeiro 01, 2004
Frio
Frio, muito Frio, cortante
Invade-me, sinto-o, gelo...
Puxo os lençóis, tiritante
Enredando-me como um novelo...
Deliro, e a visão turva alastra...
Mais do que um pensamento
Chega, e logo se afasta...
Não me dando qualquer alento...
Lancinado, caio prostrado
Derrubado pelo Frio cortante...
Loucura....
Dor agora constante, latente
Alucinado com imagens, confusão...
Cego, mas ainda crente
Que o sol volte, que me aqueça
[o coração...
Frio, muito Frio, cortante
Invade-me, sinto-o, gelo...
Puxo os lençóis, tiritante
Enredando-me como um novelo...
Deliro, e a visão turva alastra...
Mais do que um pensamento
Chega, e logo se afasta...
Não me dando qualquer alento...
Lancinado, caio prostrado
Derrubado pelo Frio cortante...
Loucura....
Dor agora constante, latente
Alucinado com imagens, confusão...
Cego, mas ainda crente
Que o sol volte, que me aqueça
[o coração...
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